segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Prefeitura de Santa Rita abre 182 vagas de emprego

A Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí (MG) fará concurso para 182 vagas em cargos de níveis fundamental, médio e superior. As remunerações chegam a R$ 2.675. O concurso terá validade de 2 anos e poderá ser prorrogado pelo mesmo período. As provas acontecerão no dia 14 de dezembro. Para mais informações, clique no link abaixo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Atletas santa-ritenses conquistam grandes resultados em competições pelo país

Campeã de Triatlhon
Desidério conquistou, no último mês, o Campeonato Brasileiro de Triathlon. Ao percorrer dois quilômetros nadando, 90 pedalando e mais 21 quilômetros de corrida, a atleta santa-ritense venceu suas adversárias em 6 horas e 53 minutos e conquistou uma vaga no Mundial de Longa Distância que acontecerá em junho do ano que vem, na Suécia. Com apenas 19 anos, recebeu apoio do Conselho Municipal de Esportes para comprar sua passagem a João Pessoa (PB), local do evento. Dentre os 400 competidores, de ambos os gêneros, Tainá fez o terceiro melhor tempo em ciclismo e conta que a boa forma física poderá ajudá-la em um torneio de Iroman 70.3, de que participará, no próximo mês, em Miami. Para participar do evento nos Estados Unidos, a santa-ritense irá arcar com as próprias despesas, uma vez que não tem patrocínio. “Meus pais estão desfalcados. Foram ele que bancaram minha ida.” - diz a única atleta da região na modalidade e a mais nova competidora do Estado. 

Como o treinador de Tainá encontra-se na Itália, a atleta treina no Insel, através de planilhas, e improvisa para dar conta do recado. Para isso, dá 300 voltas em uma piscina de 12 metros e meio para nadar cerca de 6 Km por dia, corre no Centro de Eventos da Prefeitura e pedala na rodovia.

No dia 21 de setembro, completaram-se 4 anos que a atleta foi atropelada por um caminhão, na rodovia, e permaneceu 6 meses em uma cadeira de rodas, até que reaprendesse a andar. Por ironia do destino, uma queda em pista molhada a tirou de uma competição em que participava na cidade de Santos, o que lhe rendeu alguns hematomas e escoriações. 

Tainá está confiante nas competições de que participará neste ano e acredita que seu bom desempenho poderá atrair a atenção de patrocinadores. “Espero que os resultados positivos me ajudem a encontrar um bom patrocínio.” – finaliza. 

Campeão de Muay Thai
Breender Gonçalves treina Muay Thai há um ano e meio e acaba de retornar do “Campeonato Nacional Aberto de Muay Thai” com o cinturão de primeiro colocado na cate-goria “Amador até 81Kg”. O evento, que contou com mais de 300 lutas num só dia, reuniu competidores do país inteiro. O santa-ritense, treinado por Rafael e Rondinele do Vale, na Academia HardBones (Unidade 2), estuda de manhã, treina depois do almoço e trabalha de noite. Além dele, outros santa-ritenses também retornaram com títulos de Bragança Paulista: João Paulo Bueno foi o primeiro colocado na categoria até 78kg e Rodolfo Mendes ficou em segundo na categoria até 85kg. 

Faixa “Kruang Vermelha Ponta Amarela”, Breender conta que pretende evoluir no Muay Thai e que irá continuar participando de competições. Ele também afirma que está à procura de apoiadores e que espera receber suporte da prefeitura: “O Muay Thai está crescendo muito em Santa Rita. Acreditamos que merecemos receber um incentivo do poder público para que o esporte continue a evoluir. - define o lutador.

O corredor
Eduardo Calixto leva mais uma. Ele acaba de se tornar campeão do Desafio das 12 horas de Piracicaba, ao percorrer a maior distância: 120km. Habituado a ocupar o ponto mais alto do pódio, o competidor forma com Robson Vigilatto e outros atletas locais um seleto clube de competidores de alta performance que vivem e treinam em Santa Rita.

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EPTV: Feira leva novidades tecnológicas em Santa Rita do Sapucaí

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Do velho mercado ao tio milagreiro, as recordações de Anízio Dias dos Reis

Anízio Dias dos Reis nasceu no bairro rural do Vintém e trabalha, desde os 10 anos. No antigo Mercado Municipal, localizado na pracinha da cadeia, ajudava o pai, Benedito Zeferino, e o irmão a cortar e comercializar carnes. Ao todo eram quatro açougues. O mais afamado pertencia ao senhor José Pinto que, mais tarde, foi comprado por José Oriental. Dentro do antigo prédio, havia um chafariz, no centro, onde eram comercializados os peixes. Próximo dele, um espaço era ocupado por Joaquim das Frutas. Os açougues ficavam ao seu redor, mas tinham as portas voltadas para fora. As carnes eram cortadas em uma grande bancada sob uma barra de ferro e dependuradas por ganchos. Como não havia refrigeração nas residências, o toucinho era muito consumido pelos santa-ritenses para conservar a carne em latas ou preparar os alimentos. Anízio recorda-se das bancas de secos e molhados, com produtos da própria cidade e das frutas e verduras vendidas na parte externa, em bancas próximas de uma grade de ferro que ladeava a varanda. A vida era movimentada ao redor do prédio de forma arredondada e imponente – semelhante a um pagode chinês. Como a cadeia era bem próxima, não raramente os frequentadores do mercado eram surpreendidos com a notícia de que alguém havia sido preso ou empreendido fuga e corriam para ver o que estava acontecendo. Na rua das Cravinas, havia o Bar do Geraldinho, local onde os fregueses se acotovelavam no balcão até o sol se por.
Das lembranças que Anízio carrega desde a infância, algumas das mais fortes remetem ao seu tio, Antônio Pereira dos Reis. Mesmo cego, ele conseguia construir cercas com precisão, contar e negociar porcos, cavalgar e até vender laranjas em uma carroça. Desconfiado de que o homem enxergava, Anízio chegou a voltar troco a mais em uma barganha para saber se o tio desconfiava. “Você me deu dinheiro a mais, Anízio. Toma aqui o troco.” Não havia trabalho algum na rotina da roça que Antônio não pudesse fazer. Antes do amanhecer, ele acordava, tirava o leite, engarrafava, colocava as rolhas feitas de sabugo de milho e pegava o rumo da cidade, onde faria as entregas.

Como se não bastasse aquela habilidade incomum para um deficiente visual, Antônio teria um fim não menos curioso: faleceu no dia em que completou 70 anos. O mesmo aconteceria com seu irmão, José, nascido com uma deficiência que impediu que os seus braços crescessem. Morreu no dia em que completava 40 anos.
Por falar em José, Anízio conta que, apesar das dificuldades, sua memória era impressionante. “O homem batia o olho em um bezerro e sabia de qual vaca era.”

Quando José faleceu, algumas pessoas começaram a pedir milagres em sua intenção e contam que eram sempre atendidas. Por conta disso, Anízio lembra-se quando um homem o procurou para saber onde havia sido sepultado. “Ele disse que havia recebido um milagre por intercessão do meu tio e queria construir um túmulo como forma de agradecimento.”
Atualmente, Anízio mantém a tradição que herdou do pai e comercializa carnes no Mercado Municipal, em um açougue que carrega o mesmo nome dos tempos do antigo prédio. “Quando compramos o açougue ele se chamava “São Jorge”. Mantivemos o nome até hoje.” – conclui.

  (Por Carlos Romero Carneiro)

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O curral do conselho (Por Ivon Luiz Pinto)

Um dos problemas que toda cidade  do interior teve e, em certas ocasiões, ainda tem, é concernente a animais soltos pelas ruas. É bastante desagradável e também perigoso encontrar cavalos, vacas e cachorros transitando pelos caminhos que temos que fazer.  Já houve caso de vaca cair na piscina residencial de amigos. O caso foi tão inusitado que a EPTV veio registrar o ocorrido e a vaca saiu na televisão... Essa situação de animais na rua não é coisa recente. Ela vem desde muito tempo, não só na cidade como também no Brasil. Se levarmos em conta que houve um tempo em que não havia automóveis, caminhões e o meio de transporte era no lombo de animais, vamos perceber que a população equina, principalmente, era muito grande. O carro de bois supria a necessidade de transporte de carga pesada e a tropa de muares supria o de longa distância. Era bonito ouvir o cantar do carro puxado por muitas juntas de bois, quase sempre de cores iguais. As juntas eram unidas pela canga, presas pelo canzil e por uma correia que passava em baixo do pescoço e que tinha o nome de brocha. Eita nome que dá medo! Na frente, os dois bois de guia, mais mansos e obedientes ao comando do carreiro e, junto à mesa do carro, a junta de coice. Mais atarracados e mais fortes, eram eles que aguentavam o maior peso. 
Um carro de bois é formado por uma prancha longa onde se coloca a mercadoria e é chamada de mesa e tem uma ponta triangular de onde sai uma trave comprida, o cabeçalho, que une o corpo do carro às cangas. A mesa possui furos laterais onde se coloca os fueros que, em alguns casos, suportam uma esteira de bambu. O condutor do carro de bois é o carreiro, com sua longa vara de ferrão. 

O condutor da tropa era o tropeiro. Um dos mais importantes tropeiros desta cidade foi o Capitão João Antonio Dias, possuidor de várias tropas para fazer  transporte. Atento aos negócios da região, o Capitão fazia comércio levando, no lombo de sua tropa de mais de cem burros casta-nhos, produtos da terra para o vale do Paraíba e, daí, seguindo para Parati, através de Guaratinguetá e Cunha. Muitas vezes, alargava a caminhada e chegava até o Rio. Seu filho, Antonio Paulino, era companheiro nas viagens e, quando o pai já estava cansado, empreendia a responsabilidade total. Isso foi lá por 1834. A maioria dos pastos era aberta e, frequentemente, se encontravam animais pela cidade. Foi então necessário colocar ordem  e a Câmara Municipal legislou proibindo que se deixasse animais soltos, criando o Curral do Conselho  que era o local, adequado pelo Conselho Municipal, onde a prefeitura guardava os animais soltos nas ruas, como num curral, até que os donos viessem buscá-los. O nosso Curral ficava ao lado do Mercado Municipal. Esse mercado foi assassinado e, em seu lugar, apareceu a Praça Dr. Delfim Moreira Jr, hoje Praça do Kridão. No lugar do Curral, ergueram um barracão que já serviu para uma fábrica de confecções, a Katrin. A proibição de animais soltos nas ruas e praças é  oriunda de Portugal, vem com os primeiros colonizadores e está prevista nas leis do Conselho Ultramarino, órgão português para cuidar da colônias além mar. A proibição existiu em todas as cidades e vilas e, em alguns lugares, houve situações hilárias, como em Batatais que a Câmara Municipal instruiu os proprietários de vacas a colocarem, de noite, lanternas em seus chifres para que as pessoas não tropeçassem. 

As Câmaras Municipais existem desde 1532, quando foi fundada a Vila de São Vicente. Martim Afonso de Souza nomeou alguns  “homens bons” com a função de verear, isto é, governar a vila e fazer justiça. Não existia o cargo de prefeito. Quem exercia o poder executivo era o Presidente da Câmara que, posteriormente, delegou o poder de fazer justiça aos  juízes ordinários.

Em  1916, existia aqui uma Câmara Municipal e o Presidente dela é quem governava o Município. Na época, o Presidente da Câmara era o Cel. Francisco Moreira da Costa que, em 10 de junho de 1916, sancionou a lei 241, denominada Estatuto Municipal.  O Art. 76 era claro nas suas proibições.

A partir de então, os animais soltos eram recolhidos por homens corajosos que enfrentavam o chifre dos bovinos e os coices dos muares. Os cães soltos eram apanhados pelo “homem da carrocinha”, assim chamado por conduzir uma carroça onde se colocava esses animais. Todos eram levados para o Curral e depois vendidos ou abatidos, se os donos não os procurassem. Dizia-se que eram vendidos para as fábricas de salame. Daí chamar os cavalos magros de salameiros. Certa vez, desapareceu meu cachorro Sultão. Eu gosto muito de salame. Será que comi meu cachorro?

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ex-ministro do STF, santa-ritense diz que negar carteira de advogado a Joaquim Barbosa mancha a história da OAB

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Francisco Rezek disse nesta quinta-feira (02) que a tentativa de se negar a carteira de advogado para o antigo ministro do STF Joaquim Barbosa é um dos maiores desastres da história da OAB e criticou o que chamou de aparelhamento político da instituição. O antigo magistrado cobrou duramente um posicionamento público do presidente da Ordem, Marcus Vinicius Furtado.
"Pode parecer um episódio isolado, mas é um dos maiores desastres que aconteceram na história da Ordem dos Advogados do Brasil. De um certo modo, aquilo que inúmeros advogados já vêm percebendo como espécie de aparelhamento político da Ordem", falou.

Rezek mostrou-se, ainda, perplexo pelo fato de que o presidente da OAB-DF, Ibaneis Rocha, usar de sua posição de presidente da OAB e acusar Barbosa de falta de idoneidade moral para exercer a advocacia quando Barbosa é, segundo ele, um dos homens de maior integridade moral que já passaram pela vida pública do Brasil

"Pode lhe faltar diplomacia, podem acusá-lo, às vezes, de carente de boas maneiras, mas nunca pôr em dúvida a idoneidade moral desse homem. Eu achei um desastre, uma lástima, um episódio vergonhoso. Eu gostaria de saber se o presidente da OAB nacional tem algo a dizer sobre isso ou se ele vai se evadir do dever de fazer um comentário", declarou.

Questionado sobre o aparelhamento político da instituição, Rezek disse que esse funcionamento começou no Rio de Janeiro e se espalhou para outras partes do Brasil. O antigo ministro do Supremo explicou que o presidente nacional da OAB precisa restabelecer a ordem e demonstrar a tradição de idoneidade nos tratos públicos. 

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Um novo começo (Por Danlary Tomazini)

É do conhecimento de muitos o período em que minha mãe e eu moramos na favela ou nas ruas de São Paulo e de Santa Rita do Sapucaí. Antes de optar por fazer uma trajetória que, para alguns, é impensável, tivemos que dispor de todos os bens materiais que possuíamos. Algumas coisas doamos, mas, na maioria, decidimos colocar fogo. Sim, algo incomum. Isso foi um marco em nossas vidas, determinando um recomeço. Nem por isso foi fácil. Levamos dias decidindo o que queimar, o que doar e, principalmente, desapegando-nos de tantas coisas que faziam parte de quem éramos. Coisas que valiam muito em dinheiro, outras que valiam muito para a emoção. Chorávamos enquanto víamos tudo transformado em cinzas e, até hoje, quando conversamos sobre isso, sinto um aperto no coração. 
Foi esse aperto que senti no dia 16 de agosto de 2014 quando, pela manhã, me deparei com duas negras nuvens de fumaça pintando o céu. Angústia em pensar nas perdas que alguma família estava sofrendo naquele momento. Um sentimento equivalente a nada, se comparado ao daqueles que, ao contrário de nós, não escolheram passar por aquilo.

O incêndio que aconteceu no Depósito de Reciclagem Sapucaí marcou a história de Santa Rita. Não só por ser um evento trágico que teve alcance dos meios de comunicação, ou ainda, por mostrar a solidariedade de muitos que,  como podiam, auxiliaram para conter as chamas, ainda sem a presença dos bombeiros. Esse incidente revelou uma família que não se entregou ao luto de perder seu meio de sobrevivência. 

Fábio e Vania Silveira, donos do depósito, não se envergonharam em recomeçar quase do zero. Estavam de volta, um dia depois, colocando a mão na massa como sempre fizeram, distribuindo sorrisos, gentilezas e boas palavras, seja aos clientes, funcionários ou àqueles que, de alguma forma, procuraram ajudar. Não importa o tempo que levar para que todos os prejuízos materiais sejam ressarcidos. O mais importante está feito: deixaram um exemplo a mais de perseverança e união na história da nossa cidade.

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O ex-aluno da FAI, Ernani Wood Neto, inaugura a série "cases de sucesso"

Criado em 1971, o curso de Administração da FAI é o pioneiro no Sul de Minas. Ex-alunos de várias gerações passaram por aqui e todos os entrevistados desta série ressaltam a importância do curso como a base sólida para alavancarem suas carreiras. O ex-aluno Ernani Wood Neto, que concluiu o curso em 1982, é um deles.
Ele trabalha na Unilever Brasil Ltda, onde atua como líder global para compras de ingredientes. Cursou o MBA Logística Empresarial na Fundação Getúlio Vargas e também Gestão Executiva de Negócios na PUC Minas e pós-graduação em Direito do Trabalho na Faculdade de Direito do Sul de Minas, de Pouso Alegre. Ernani divide seu tempo entre São Paulo, onde trabalha e Pouso alegre, onde reside sua família. Na entrevista a seguir, o ex-aluno FAI fala de sua trajetória profissional, do mercado de trabalho e da sua relação afetiva com a FAI.

Ascom/FAI: Você entrou no mercado de trabalho em 1978 ainda sem cursar a faculdade e continua na mesma empresa até hoje. Opção sua?
Ernani: Fui admitido na então Refinações de Milho, Brasil Ltda em novembro de 1978 no cargo de datilógrafo no departamento de Engenharia. Na época cursava o terceiro colegial e a Refinações estava em busca de um datilógrafo que tivesse interesse em cursar Administração ou Economia como vista de desenvolvimento profissional. Apesar de permanecer na mesma empresa por força de registro, mudei de "empresa" por duas vezes, por força de processos de fusões. O primeiro foi a fusão da Refinações de Milho com a Arisco, criando a empresa  RMB e depois a fusão da RMB com a Unilever. Cada processo de fusão é como uma mudança para uma nova empresa. Nestes processos, um mais um nunca é igual a dois.
 Ascom/FAI: O que o fez manter-se fiel à empresa?

Ernani: O que me manteve na mesma organização foram as oportunidades de crescimento profissional que tive ao longo do tempo, bem como o reconhecimento pelos trabalhos realizados. Comecei trabalhando como datilógrafo, sendo promovido a assistente administrativo seis meses após minha admissão. Alguns anos depois, passei para funções de Recursos Humanos, mudando completamente o escopo do meu trabalho e proporcionando excepcional crescimento como pessoa e profissional. Fui promovido para gerente administrativo e movido para o nordeste do Brasil, responsável pela implantação de procedimentos operacionais em uma fábrica recém construída, englobando todas as atividades de RH e Comerciais. Acumulei funções como gerente de manufatura durante parte do período no nordeste. Retornei para São Paulo como gerente de manufatura em terceiros e logo fui para Goiânia, quando da aquisição da Arisco, absorvendo estas operações na nova empresa. Em seguida com a compra pela Unilever, permaneci na gerencia de manufatura em terceiros e fui trabalhar em Valinhos. Fui então convidado a me juntar ao departamento de compras de materiais produtivos, posição que pude desenvolver diversas atividades diferentes como gerenciamento de portfólios globais, locais e commodities, viajar pelo mundo e me relacionar com diferentes culturas. Em resumo, foram 36 anos em "uma mesma empresa", porém recheados de novos desafios, oportunidades, crescimento pessoal e profissional, bem como reconhecimento.
Ascom/FAI: Como está o mercado hoje para o profissional de Administração?
Ernani: O mercado para administradores hoje é muito mais desenvolvido do que quando iniciei minha carreira. Nos anos 80 e ainda nos 90, a formação mais procurada no mercado era de engenheiro. O administrador ainda não tinha conquistado seu espaço adequadamente. Hoje, o profissional de ADM ou Economia é tão bem visto quanto o de Engenharia e por consequência, valorizado igualmente no mercado de trabalho e em algumas posições, ainda mais procurado.
Ascom/FAI: Para você quais são pontos fortes do curso de Administração da FAI?
Ernani: O curso me proporcionou o conhecimento holístico da Administração, com visão de várias áreas de atuação das empresas e aplicar imediatamente os conhecimentos adquiridos nas minhas funções profissionais. A interação com os professores e a possibilidade de transferência imediata do teórico para o prático foram pontos fundamentais para a consolidação e expansão dos conhecimentos. 
Ascom/FAI: Você acompanha a evolução do curso e da Faculdade? Como?
Ernani: Acompanho a evolução da FAI por comentários de amigos e por visitas ao site na internet, bem como publicações em jornais e revistas. Fica claro o desenvolvimento da Faculdade, sua expansão de cobertura em várias áreas da Administração, inclusive com formações em pós-graduação.
Ascom/FAI: Você indicaria o curso FAI para os vestibulandos?
Ernani: Sem dúvida. É um curso sério, que conta com excelentes profissionais na sua condução, transferindo seus conhecimentos e formando profissionais capazes de atuarem no mercado, desempenhando adequadamente suas atribuições.
Inscrições para o vestibular FAI 2015: até 13 de novembro

Informações: 3473-3013 - vestibular@fai-mg.br

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Santa Rita do Sapucaí, sempre no meu coração (Por Dr. Bob Deutsch)

Meu nome é Dr. Bob Deutsch, sou neurocientista, antropólogo, e consultor de negócios. Por uma década, no passado, cheguei a ser diplomata do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Tive sorte o suficiente para ter vivido e conhecido muitos locais, em todos os continentes. Estive recentemente em Santa Rita do Sapucaí, para fazer uma palestra no TEDx que aconteceu no Inatel.
Estou escrevendo isto agora para afirmar um simples fato: acho que Santa Rita do Sapucaí é um lugar fabuloso. Sou aberto e curioso o suficiente para ter gostado de muita coisa em quase todos os lugares para os quais já viajei. Santa Rita, no entanto, é muito especial. Muito especial!

Vi isto por diversas razões. Primeiro, as pessoas. As pessoas que conheci no contexto do meu trabalho aí são todas inteligentes, alegres e criativas. São simpáticas e cheias de vida. O mesmo vale para as pessoas que encontrei andando nas ruas e calçadas da cidade, assim como as pessoas que encontrei no meu hotel e nos restaurantes aos quais fui. Todo mundo foi receptivo e demonstrou carinho. Isso não é muito comum ao redor do mundo.

As pessoas aceitaram bem a lentidão das minhas conversas que exigiram uso de um tradutor. E sempre tinham sorrisos no rosto. Meus anfitriões – residentes locais – foram os mais simpáticos e graciosos que já conheci ao redor do mundo.

Também gostei muito da comida. A carne bovina, a carne de porco, o arroz com feijão, tudo delicioso. E, é claro, adorei a caipirinha. Talvez tenha tomado demais (estou brincando). Provei até um sorvete com sabor de caipirinha. Comi na cidade e experimentei pratos maravilhosos. Uma noite, comi uma Parmegiana muito saborosa (é o meu prato favorito em casa, em Nova York). Outro dia, fomos a um restaurante localizado em uma fazenda, fora da cidade (Balaio). A comida e o ambiente eram rústicos, mas muito confortáveis. Em uma manhã, também caminhei com dois amigos locais, por um mercado. Gostei muito do mercado – antigo, mas lindamente natural. Achei a apresentação das frutas e legumes, e das partes de galinha e carne bovina, dispostas em espaços bem limpos e atrativos. Alguns vendedores de queijo e pastel me permitiram experimentar um pouco. Quando me ofereci para pagar, disseram “não”, com um sorriso. Isto é hospitalidade.

Eu também fiquei muito interessado e feliz em ver em Santa Rita do Sapucaí uma mistura do que pode ser geralmente considerado uma contradição. O velho e o novo, o tradicional e o moderno, não vivendo apenas lado a lado, mas como uma mistura maravilhosa de dois opostos. Carroças puxadas por burros em frente a empresas de alta tecnologia, e engenheiros trabalhando com pessoas ligadas a artes criativas. É exatamente disso que o mundo necessita. Coisas que são “isso E aquilo”. A maioria das coisas, hoje em dia, é dividida como coisas extremamente diferentes. É uma separação imatura e, muitas vezes, perigosa. Santa Rita do Sapucaí não é assim. É um ótimo exemplo para o mundo.

Por último, aponto o quanto me senti bem olhando e estando na linda paisagem de Santa Rita – os montes, as montanhas, as muitas camadas e sombras de verde, e as plantações de café, me deixaram muito feliz. Me fizeram lembrar dos montes da Toscana, na Itália, onde morei por quatro anos, há pouco tempo. Esta área da Itália é considerada por muitos viajantes do mundo todo como um dos mais fantásticos lugares do globo. Santa Rita do Sapucaí é igual. 

Eu já estive no Brasil muitas vezes – Rio, São Paulo, Brasília, Manaus, Porto Alegre. Até mesmo morei por três anos com os Ianomâmis na Amazônia. No entanto, esta foi minha primeira vez em Santa Rita do Sapucaí. Eu não esquecerei meus dias aí. Agradeço às pessoas de Santa Rita do Sapucaí. E quero retornar.

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Globo Esporte: Incansável, Ziquinha faz 35 anos e rechaça aposentadoria: "Nem penso"

Carismático, veterano e goleador. Há exatos 35 anos, no Sul de Minas - mais precisamente na cidadezinha de Santa Rita do Sapucaí - nascia um dos mais folclóricos jogadores que ainda desfilam nos gramados do interior do Rio de Janeiro. Flávio Luís Chagas de nome, só que mais conhecido como Ziquinha por puro "pragmatismo" do futebol, o atacante do Friburguense comemora mais um aniversário nesta segunda-feira se recusando a ceder aos agentes do tempo. E ai de quem tenta antecipar as coisas. Quando questionado sobre uma possível aposentadoria, a resposta vem sucinta e de bate-pronto: "Nem penso nisso". 
São por essas e outras que Ziquinha foge à regra do futebol moderno para se mostrar um incansável quando, aos 35 anos de idade, afirma que ainda tem muita lenha para queimar no mundo do futebol com as chuteiras nos pés.
- Eu não penso em parar ainda, não. Para falar a verdade, nem penso nisso. Penso mesmo em seguir jogando e marcando gols. Enquanto eu tiver forças para treinar, para jogar, eu vou continuar jogando. Enquanto o meu corpo aguentar, eu vou continuar no futebol - disse Ziquinha.
Definitivamente, Ziquinha encontrou o seu lar e não quer mais saber de mudanças. Muito rodado no futebol, mesmo veterano, o jogador revela que ainda projeta muitas conquistas na carreira. No entanto, não faz rodeios ao rebater a pergunta sobre qual camisa pretende estar vestindo. 
- Estou muito feliz no Friburguense. Não penso em sair daqui mais. Meus sonhos e objetivos são todos com o clube. Pretendo conseguir essa classificação na Copa Rio para, posteriormente, disputar uma Série D. Eu penso que, enquanto você sonha, você continua vivo. Enquanto eu tiver o sonho de levar o Friburguense a grandes objetivos, eu terei um grande incentivo - afirmou.
Ziquinha também não tem dúvidas sobre o que almeja no aniversário de 35 anos. O atacante declara que, neste momento, conseguir a classificação para a próxima fase da Copa Rio seria o maior presente possível para celebrar essa data tão especial.
- Amanhã é aniversário do Cadão também. Eu acho que essa classificação na Copa Rio é o presente que nós merecemos. Se conseguirmos a vaga, vai ser um presentão. Eu diria que o melhor presente possível para nós neste momento - concluiu.

O Friburguense enfrenta o Duque de Caxias nesta quarta-feira, às 15h, no Marrentão, pela última rodada da primeira fase da competição. Para avançar, o Tricolor da Serra, além de fazer a sua parte, depende do resultado do confronto direto pela vaga entre Bonsucesso e Resende.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LC Eletrônica investe em novas fábricas no Sul de Minas

A fabricação de display de cristal líquido dá mais visibilidade à LC Eletrônica, mas vende menos, de acordo com o presidente Marcelo Soares Minhós. Já a produção de cartões de ônibus tem um volume de produção maior, mas possui menos clientes. “E os chips de cartão têm um volume absurdo, mas com pouquíssimos clientes”. Só que o somatório desses três produtos constituem o carro-chefe da empresa em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. “Chegamos a ter crescimento de 70% a 80% durante seis a sete anos”, conta o engenheiro mecânico, que, neste ano, deve faturar R$ 60 milhões com a LC.
Descoberta. O presidente da LC Eletrônica, Marcelo Minhós, descobriu o
lugar ideal para abrir a empresa em Santa Rita do Sapucaí.
Tamanho otimismo se baseia na demanda dos produtos da LC. Em 2004, quando a empresa foi aberta, ela fazia 3.000 cartões por mês e 300 displays de cristal líquido por dia. Hoje, são 700 mil cartões. “E estamos com demanda para dobrar o número de cartões”, conta. O encapsulamento do chip está, em média, em 4 milhões de unidades por mês.
E, para continuar crescendo, a LC Eletrônica tem mantido os investimentos. Se, neste ano, os aportes em equipamentos de produção foram baixos, foi por causa da construção de uma nova fábrica para fazer chips, que demandou R$ 2 milhões. “Sem contar a parte de painel solar, nós vamos ter que investir mais ou menos € 1 milhão para comprar mais máquinas”, calcula o empresário.
Isso porque está nos planos da LC a exportação para Chile e Estados Unidos. “Vamos precisar aumentar a capacidade”, explica.
A outra planta, para a fabricação de painel solar, requer R$ 200 milhões. São painéis solares de geração de energia para empresas do setor elétrico fazerem as chamadas “fazendas solares”. “Você vende a energia gerada para concessionárias, dentro do Brasil”, explica Minhós sobre a diversificação do negócio.
E a LC Eletrônica já tem clientes para a compra de painéis solares, um produto complexo na análise do empresário. Eles têm o tamanho de 1,20 x 70 cm e, na previsão de Minhós, começam a ser produzidos no ano que vem. “Acabamos de construir uma fábrica (de painel solar) e vamos ter que construir outra”, afirma o executivo.
A confiança de Minhós se ampara num Arranjo Produtivo Local de Eletrônica, que, de acordo com Minhós, só tem em Santa Rita do Sapucaí. “Aqui, a maioria das empresas é nacional. A diferença é que todo mundo daqui tem o mesmo problema, que é arrumar financiamento. Se todas as empresas daqui estão pagando a conta, os bancos gostam de emprestar para cá”, conclui.
Exportação
ArgentinaA LC Eletrônica vai exportar um total de 400 mil peças de cartões para a Argentina. O primeiro lote já foi enviado. A meta, de acordo com Marcelo Minhós, é exportar para a Europa.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Um exemplo de imaginação política (Por Salatiel Correia)

O som de João Gilberto, com aquela voz doce e superafinada, ganhava o mundo afora. Nara Leão se tornava a musa inspiradora dos jovens abastados da zona sul carioca. Florescia com toda força o cinema novo de Glauber Rocha, que adquiria respeitabilidade internacional. Na arquitetura, a força expressiva de Oscar Niemeyer moldava os tempos modernos que chegavam entre nós. Pintores, escritores e escultores expressavam-se num ambiente altamente favorável. No futebol, o Brasil conquistava, pela primeira vez, o título mundial. No tênis, Maria Ester Bueno saiu vitoriosa daquele que é considerado o mais importante torneio do planeta: Wimbledon. Essa era a face mais visível de um país que construía a passos acelerados sua identidade.
Estradas rasgavam os sertões do país integrando o centro-sul - um Brasil que o Brasil ainda não conhecia. Usinas hidroelétricas eram construídas, não só tirando milhões de brasileiros da escuridão, como sustentavam nossas indústrias, assim, impulsionando o São Paulo moderno. E, então, o país crescia economicamente a taxas comparáveis às da China de hoje.

O sonho acalentado desde os tempos de Dom Pedro II se tornava uma realidade. Nascia uma nova capital incrustada no coração do Brasil e que integraria os quatro cantos do país. Estávamos nos tempos daquele que é considerado o mais empreendedor presidente que o Brasil já teve: Juscelino Kubitschek de Oliveira. As coisas boas não acontecem por acaso. Por trás delas, existe um rigoroso planejamento alicerçado pela vontade política de fazer - e JK fez!

Para tanto, ele se cercou de gente de primeira qualidade. Não ligou para clientelas tão arraigadas na nossa cultura política. Criou uma estrutura paralela e com esta governou. Tudo gente de primeira qualidade e léguas distantes dos aduladores. O desenvolvimento do Brasil não se deu só na dimensão econômica, mas também cultural. 

Nos tempos em que governou o Brasil o marido de dona Sara, o país vivenciou a fase mais visível que alimenta seu corpo - energia, transportes, a nova capital - mas também se impregnou da fase mais invisível que alimenta a alma humana: a cultura. As coisas boas não acontecem por si só; elas são o resultado de planejamento, vontade política e muita imaginação.

É a imaginação política que conduz por caminhos incertos as sociedades que têm visão e lide-rança para conduzir o processo de desenvolvimento. Visão para enxergar mais adiante, liderança para encantar seguidores.

Um belo exemplo de uso da imaginação política aconteceu recentemente em Santa Rita do Sapucaí com o advento da Cidade Criativa, liderada pelo competente vice-prefeito e ex-diretor do Inatel, professor Wander Wilson Chaves. Ao corpo do desenvolvimento santa-ritense, expresso pelo seu respeitável polo de eletrônica, agregou-se a alma emanada da Cidade Criativa. Puro exercício de imaginação política. Palestras, peças teatrais e shows trouxeram uma dimensão humana para o processo de desenvolvimento local.

Processos dessa natureza se tornam ainda mais sustentáveis quando são resultantes da vontade política emanada pelo poder público. Vontade política que vai além do trivial da construção de praças e estradas, pois agrega à alma dos cidadãos a descoberta de si mesmos a partir da cultura. Que a Cidade Criativa se torne um acontecimento corriqueiro, na terra de Sinhá Moreira, como é a festa de Santa Rita. Acontecimentos como o Cidade Criativa vão sempre em busca da transformação do homem pelo homem por meio do que realmente alimenta e torna a vida neste mundo merecida de ser vivida: a cultura.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, dentre ou-tras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)

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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cursos da FAI recebem "Estrelas 4" do Guia do Estudante

"Estrelas 4", ou  sejam conceitos "Muito bons".  É esta a avaliação dos cursos de Administração, Sistemas de Informação e Pedagogia da FAI realizada pelo Guia do Estudante (GE), da Editora Abril.  A publicação intitulada GE Profissões Vestibular 2015, passa a circular nas bancas a partir de 10 de outubro de 2014.
De acordo com o Guia, a avaliação é uma pesquisa de opinião feita, basicamente, com professores e coordenadores de curso. Eles emitem conceitos que permitem classificar os cursos em bons (três estrelas), muito bons (quatro estrelas) e excelentes (cinco estrelas).
Para participar da avaliação, a Instituição tem que estar apta. São considerados quatro critérios. A faculdade tem de ter titulação de bacharelado (as exceções são Pedagogia e Educação Física), a data de conclusão da primeira turma tem de ser igual ou inferior a 2010, o curso tem de ser presencial e tem de não só ter turma em andamento como processos seletivos para próximas turmas.
A partir das informações fornecidas pelos coordenadores dos cursos, especialistas convidados pelo Guia avaliam os mesmos por meio de pareceres. Cada curso é avaliado por seis pareceristas. Os itens avaliados são corpo docente, produção científica e instalações físicas, entre outros.

A comunidade FAI recebeu a notícia com alegria. "O objetivo da FAI é que cada um dos seus cursos fiquem entre os dez melhores do Brasil pelo ranking do Enade. Este resultado do Guia indica, embora a avaliação seja feita por conceito e não por nota, que todos os cursos da FAI passam a imagem de alto padrão que eles realmente tem", enfatiza o diretor da Instituição, professor José Cláudio Pereira.
 
Apenas o curso de Engenharia de Produção da FAI, criado em 2014, não foi avaliado pelo Guia.

Turismo Rural é excelente opção para a economia santa-ritense

As últimas experiências em Santa Rita me mostraram que podemos explorar, com grande sucesso, o turismo rural. Quem vem não pede muito, apenas a verdade. Comida na varanda, montanhas, animais, talvez água da mina ou um doce de leite. Já está quase pronto, só é preciso mapear. Não é necessário grandes produções ou shows extravagantes. Tudo isso existe nos grandes centros. O que chama a atenção dos visitantes é o que já se tornou invisível pra nós. A carne de porco ou o frango caipira, a cachaça, o tutu de feijão e a saladinha... tudo o que um santa-ritense está habituado a ver, é envolvente aos olhos do turista. O que falta é estampar a história do local pelos pontos mais importantes, criar um mapa ou site com imagens e estar disposto a empoeirar o carro quando eles vierem pra cá. De resto, a natureza se encarrega. Está tudo aqui... rio, montanhas, floresta, estradas, casarões, gente. Esse, sim, é o nosso maior patrimônio.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Um baiano que canta e encanta (Por Danlary Tomazini)

Lourival Cruz Gomes, 66 anos, casado, filhos e netas. Uma daquelas pessoas em que esbarramos por aí e pensamos que é gente como a gente. Engano comum. Os privilegiados que andam em seu táxi, descobrem que uma corrida pode ser sonora e aprazível. Sempre conversando, cantando e encantando, é assim que leva as pessoas a seus destinos.
Toda essa alegria tem motivo. Baiano do Táxi, como é conhecido, deveria mesmo é ser chamado de Baiano da Música. Apesar de nunca ter entrado em um conservatório, ele possui o dom da composição e interpreta suas canções, sempre que possível, com um timbre de voz grave e confortável.  

Comunicativo, Baiano conta como valoriza a Deus e, ao invés de utilizar seu dom para fazer fortuna, preferiu estruturar sua família na simplicidade e fazer da música seu prazer e realização pessoal. Prova disso é seu trabalho voluntário na Rádio Comunitária da cidade com o programa “Todos os Ritmos” que possui assíduos ouvintes, ou o Luau da Seresta de que participa todo mês, sem receber cachê. 

Em 2013, tirou sua carteira profissional de cantor na Ordem dos Músicos do Brasil, cantando quatro canções de sua autoria, deixando a banca examinadora impressionada. Merecido reconhecimento para nosso artista de alma e coração que já gravou dois CDs, o primeiro em 2011 intitulado “Carinhosamente” e o segundo em 2014 “Berço Verde”, ambos produção independente que pagou com suas economias e realizou em um estúdio aqui da nossa cidade.

Nasci e cresci em uma escola de música, fui musicalizada, porém, nenhum dom musical possuo. O que sempre me encantava e fazia feliz era conviver com músicos, musicistas e assistir de camarote todo aquele viver musical que cercava as pessoas que ali estavam. Conhecer o Baiano me trouxe boas recordações. Que prazer dividir nossa cidade com esse talento! 

Em tempos de dores e angústia, a música é o bálsamo da alma. Mas para quem vive a música, suspeito que a vida seja só de alegrias. Que o diga o grande Lourival Bahia.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Lá pelas bandas do Balaio (Por Cônego Carvalhinho)

Santa Rita do Sapucaí apresenta, na região leste, nas altura das Capituvas, como é chamado o bairro dos Ribeirinhos, uma cadeia de montanhas de altitudes que variam de 850 a 1100 metros, mais ou menos.
De acordo com os nomes das serras, a disposição das mesmas é a seguinte: a noroeste, está a maior elevação, a que deram o nome de Fagundes, talvez pela origem no local da grande família que, no século dezoito, desbravou os sertões da Capituva (Pedralva). Bem no centro da cordilheira,  está a serra do Sobradinho, onde se localiza a célebre fazenda do Capitão Carneiro, mais célebre ainda pela presença dos escravos de pernas finas cujos herdeiros eu tive a honra de conhecer e de privar da amizade, como os Aprígios, os Teodoros e os Alfredos. Ao sul da vasta cordilheira é que se localiza o Balaio: uma serra menor que as demais, de formato arredondado. Os primitivos habitantes daquelas paragens, há muitos anos, lhe deram este nome por ser uma serra que lhes parecia um balaio sem tampa.

O Balaio ou a última elevação da cordilheira dos Fagundes termina ali, à margem direita do Sapucaí, já no sítio da Nova Capituva ou o bairro dos Ribeiros. Os Ribeiros ou Ribeirinhos, assim chamados, constituem uma família à parte dos Ribeiros do Vale lá do Pouso do Campo. Muito embora habitem também no Vale do Sapucaí, não têm o Vale no nome.

Até bem pouco tempo, não se sabia a razão do nome Balaio, dado à bela serra redonda da cordilheira dos Fagundes. Estudando, porém, a etimologia da palavra com as lendas ainda vivas na memória popular, podemos interpretar ou descobrir porque a serra guarda tão esdrúxulo nome.

Certa vez, alguém me contou a seguinte lenda do Balaio:

Ali na baixada, onde havia mais casas do que serra, costumava aparecer, principalmente nas noites brumosas, uma mulher de vestido longo e com um balaio de roupas na cabeça. Espalharam-se em grupos, a fim de cercá-la com três homens à sua frente, três à direita, três à esquerda e outros três atrás. Ao todo eram doze pessoas para uma só assombração, ainda na figura de uma mulher. Uma verdadeira covardia. Pois não é que a tal assombração, vendo-se atacada de todos os lados, reagiu e surrou, um por um, os doze homens que a perseguiam? O mais surpreendente foi que ninguém viu o rosto da mulher do balaio, mas todos apanharam como cães, precisando tomar banho de salmoura, quando voltaram envergonhados para suas casas. Dizem que foi daí que surgiu o este nome: primeiro a Serra da Mulher do Balaio. Depois, o Balaio, apenas. Enfim, a Serra do Balaio, como até hoje é conhecida. 

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

“Cidade Criativa, Cidade Feliz” e a revolução cultural em Santa Rita do Sapucaí

Organizadores do "Cidade Criativa, Cidade Feliz 21014"
A cidade nunca mais será a mesma. Conclusão inevitável para quem esteve em Santa Rita do Sapucaí, no mês de agosto de 2014. Desde a sua fundação, jamais ti-vemos um número tão grande de atrações artísticas e culturais, como no “Cidade Criativa, Cidade Feliz - Festival de Criatividade e Inovação”. O evento, resultado da união entre o poder público, instituições, sindicatos, associações, empresas, artistas e voluntários, atraiu a atenção de diferentes cidades do país para o poder de transformação da comunidade protegida pela “Santa dos Impossíveis”. Nos quase 30 dias de atividades, foram realizados 4 eventos musicais, 12 palestras, 5 peças de teatro, 3 projetos gastronômicos. 4 oficinas educativas, 2 finais de semana com diversidade cultural em praça pública, além de exposições, passeios e intervenções urbanas.
Alunas da Rede Pública Municipal se preparam para apresentação no Feirão Folclórico.
Através da criatividade de nossos artistas, a cidade tornou-se mais bela do que nunca. Nas salas de aula ou nas mesas de bar, ideias para novas atividades começaram a surgir e é possível notar que as pessoas querem repetir a dose o quanto antes.
Palestra com o filósofo Clóvis de Barros Filho.
O evento mostrou a que veio logo que teve início a palestra do filósofo Clóvis de Barros Filho, dono de um carisma e conhecimento invejáveis. Outra palestra muito concorrida aconteceu no dia 13, proferida por Lala Deheinzelin, ocasião em que os presentes também assistiram a um Tributo à MPB, executado pelo Patronagens Band, com direito à canja do professor José Praxedes Maria e dos MC´s do “Projeto Consonância”. Em seguida, todos foram convidados a saborear diversas receitas, no aguardado “Delícias do Café”, em um salão anexo.
Palestra com Lala Deheinzelin.
Professor Praxedes e Patronagens Band em Tributo à MPB.
Projeto Consonância e Patronagens Band no Tributo à MPB.
No dia 16 de agosto, sábado, Santa Rita amanheceu ensolarada, enquanto a praça era fechada para a apresentação do “Vale Music Festival”. Bem cedinho, as tendas eram preparadas, as faixas de trânsito começaram a ser decoradas por alguns de nossos artistas (Arte na Faixa) e as árvores da praça foram adornadas com violões, bandolins e guitarras. Para chamar a atenção das pessoas quanto à história, à criatividade e à música, o Coronel Francisco Moreira recebeu uma guitarra e passou a fazer parte da festa. O festival foi estrategicamente montado em frente à sua casa (local onde também morou Sinhá Moreira) como uma home-nagem a esta importante família. Por volta das 16 horas, a praça foi transformada em uma pista de foxtrot, momento em que crianças olhavam admiradas para aqueles instrumentos esquisitos e os adultos ficavam maravilhados com o talento dos músicos. Enquanto as bandas se apresentavam, algumas tendas eram muito concorridas. Mariângela Janjic, filha do construtor das grutas da Vista Alegre e da pracinha da cadeia, montou uma tenda de tacos mexicanos e chili beans. Enquanto isso, o chopp Libertas, prata da casa, produzia grandes filas e provava que nossa especialidade não é apenas o delicioso pão cheio. Aninha, do Parada Obrigatória, não somente cedeu sua chopperia para uma apresentação do “Vale Music”, na noite anterior, como mostrou, em outra tenda, porque a “Famosa Berinjela da Casa” é o prato mais pedido em seu estabelecimento. Já o chef, Pablo Nogueira, não deu conta de tantos pedidos do seu “cachorro-quente gourmet” e teve que esgotar todas as salsichas da cidade para dar conta do recado. O mesmo aconteceu com uma versão “pocket” da Adega do Patrão que ofereceu deliciosos vinhos e queijos, em outra tenda.
Vale Music Festival levou apresentações de Soul e Jazz à Praça Santa Rita.
On the Street Jazz Band transformou a praça em uma pista de Foxtrot.
No início da semana seguinte, crianças da rede pública municipal começaram a participar de uma curiosa oficina, intitulada “Cinema no Pano”. Pela internet, foi possível acompanhar a incrível experiência vivida pelos alunos da Escola José Ribeiro de Carvalho (Nova Cidade), através de lições que incluíam “stopmotion” (animação com massa de modelar), pintura, edição de imagens, danças e até uma aula de maquiagem para filmes de terror. O resultado foi visto no final de semana seguinte, antes da apresentação da peça “O pequeno príncipe” pelo grupo Taetec, da ETE FMC. Esta peça, vale dizer, não foi a única. Uma semana antes, um espetáculo chamado “Mar&Ana”, escrito pelo santa-ritense Andrew Persi havia sido um sucesso de crítica e de público e uma apresentação do ator João Signorelli (Monólogo de Gandhi), faria um enorme sucesso. Tal atenção à 5ª arte integra um programa mais abrangente, que recebeu o nome de “A criança vai ao teatro”, em que os alunos têm estudado as obras, antes de assistirem às peças.
Artistas locais participaram do "Arte na Faixa".
No final de semana seguinte, crianças das escolas municipais começaram a chegar à Praça Santa Rita com roupas típicas, muito bem feitas, em homenagem ao folclore e tomaram parte do Feirão Folclórico. “Tal atividade teve início nas salas de aula. As crianças aprenderam bastante sobre o folclore, antes de realizarem suas apresentações.” - ressalta Wander Wilson Chaves, espécie de curador do “Cidade Criativa”. No mesmo sábado, tendas foram montadas pelo Inatel e pela ETE. Dentre diversas atividades foi realizada uma bonita homenagem ao cinegrafista, goleiro e colecionador de imagens históricas, Luiz Carlos Lemos Carneiro, em paineis que exibiam fotos antigas e passagens de sua carreira. Esta, aliás, não foi a única referência a ele naquele dia. Pela manhã, a prefeitura também viria a homenageá-lo de maneira muito comovente no palco do Feirão, momento em que entregou uma placa à sua esposa. 
Personalidades de Santa Rita contaram suas histórias no "Projeto Lendas Vivas".
No início da tarde, aconteceu o “Projeto Lendas Vivas” com a presença de personalidades locais que falaram sobre as suas experiências pessoais e contaram causos envolvendo os mais diferentes assuntos. A primeira convidada foi a campeã de triathlon, Tainá Desidério, que relatou como foi o seu processo de recuperação após ter sido atropelada por um caminhão e perder o movimento das pernas. Em seguida, o músico erudito Ricardo Abrahão traçou, de maneira brilhante, a história da música em Santa Rita, com destaque para a pianista Lourdes Brigagão que, segundo contou, executava obras de Villa-Lobos para o próprio maestro. A próxima atração foi Dona Zinita, filha do criador da letra do hino do Bloco dos Democráticos e Milton Marques (presidente do Ride) que falaram sobre a origem das agremiações. O convidado seguinte, professor Justino, contou causos hilários que colecionou em seus quase 50 anos de carreira, inclusive sobre a vinda de um circo de striptease à cidade, na década de 60. O evento também contou com a rica experiência de vida do doutor Luiz Donato que, dentre outros feitos, participou da autópsia do nazista Mengele. Após um show de oratória, o advogado e músico, Caio Nelson Vono, finalizou o evento com uma apresentação de ragtime (estilo considerado o pai do jazz) ao piano.
Elenco e público presente no musical Mamma Mia.
Elenco do musical Mamma Mia.
Mamma Mia: sucesso de crítica e de público, deve percorrer a região com espetáculo criado para o Cidade Criativa.
O ator Antônio Signorelli em seu "Monólogo de Gandhy".
Crianças participam da oficina "Cinema no Pano".
Outra atração muito reverenciada naquele sábado foi uma ofici-na de stencil oferecida pelo artista plástico Diego Das para as crianças. “Hoje foi corrido, cheio de canseira, mas divertido demais! Se dali sair um pequeno interesse ja valeu a pena!” - declarou Diego. Bem ao lado, em torno da estátua do Chico Moreira (já sem a guitarra), uma árvore de gibis fez a alegria da criançada, barracas de artesanato vendiam de tudo um pouco e uma roda de capoeira atraiu bom número de turistas. 
Maquiagem de filmes de terror no "Cinema no Pano".
Criança se diverte enquanto é feita sua caricatura.
A última semana do “Cidade Criativa, Cidade Feliz” ainda teria espaço para diversas palestras, um espetáculo de danças folclóricas, além do Encontro de Corais e de um espetáculo musical, intitulado “Mamma Mia”.
Encontro do fanfarras.
Difícil imaginar o que será de Santa Rita daqui pra frente. Ideias têm surgido a todo momento e não se fala de outra coisa, senão na próxima edição. Que ações inspiradas no “Cidade Criativa, Cidade Feliz” tornem-se corriqueiras e que possamos ser referência não somente em tecnologia (nossa especialidade) como também em cultura e artes. A todos que integraram este grande projeto em torno da transformação cultural do município nossos parabéns e votos de que novas expressões e lideranças surjam para que, nos próximos anos, tal evento possa ganhar ainda mais força.
Feirinha de Artesanato.
Visitantes prestigiam o "Vale Music Festival".
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