quinta-feira, 24 de julho de 2014

É menino ou menina? (Por Danlary Tomazini)

- E como é a reação das pessoas quando você fala que vai esperar pra saber?
- Eles falam que eu sou louca. “Como é que você está fazendo para comprar as roupinhas, arrumar o quarto?”

Confesso que sorri quando li isso. Foi um alívio saber que não era nada pessoal; que acontece com outras mães; que as pessoas realmente questionam isso quando você diz que está grávida e não quer saber o sexo da criança. O trecho acima é de uma conversa que tive com a Alessandra Faria. Encontrei-a por acaso através do Facebook, e fiquei contente em saber que eu não era a única em Santa Rita a esperar pela emoção de descobrir o sexo do neném na hora do parto.  

Alessandra tem uma filha de 12 anos e, há sete, tentava o segundo filho. Durante um tratamento para engravidar descobriu que tem SAFI (reagente da doença LUPUS). Na ocasião, descobriu também que uma vida já crescia em seu ventre. O médico se assustou e, diante das circunstâncias, explicou que seria necessário um caríssimo tratamento à base de dolorosas injeções diárias, para manter o bebê vivo. Assim que ela e o esposo souberam, decidiram não olhar o sexo: “A vinda desse bebê foi para acontecer muitas coisas boas em nossas vidas. Saber o sexo deixou de ser importante”, disse Alessandra. E, de lá para cá, a rotina da família mudou, a cada 15 dias ela tem consultas de pré-natal e faz ultrassom pra checar a saúde da criança.
Gravidez parece patrimônio público, todos querem passar a mão na barriga, saber o nome, o sexo, dar palpites. São tantas emoções e não nos damos conta de que a ultrassonografia chegou a Santa Rita em 1984 e, somente em 1988, surgiu a primeira clínica de diagnóstico por imagens. Antes disso, famílias desfrutavam nove meses de expectativas sem se preocupar se o enxoval deveria ser rosa ou azul. Sobreviveram e foram felizes. Assim como o meu bebê e o bebê da Alessandra, um lindo milagre que já completou nove meses de gestação, está com 2,970 kg e se prepara para chegar e irradiar de alegria a vida dessa guerreira família.

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Você quer uma carrapeta! (Por Ivon Luiz Pinto)

Uma torneira estava vazando. Coisa pouca, pingos, mas  incomodava. Além disso, era contra a economia que pedia para poupar água. Então resolvi reparar. Fechei o registro, desatarraxei a parte que tem a borboleta que a faz abrir, retirei aquela pecinha que tem uma borracha na ponta e fui comprar o reparo no Empório Brusamolin. Mostrei a pecinha para o amigo que me atendeu e ele, sonoramente, me disse:

- Ah! Você quer uma carrapeta!
Fiz cara de bobo, mais bobo ainda do que sou. Que nome esquisito. Eu conheço carrapato. De todos os tipos e tamanhos. Carrapato estrela, carrapato “porva”, carrapato pequeno, grande. Há mais de 800 espécies, cada uma com um nome científico e endereçado para um tipo de animal: carrapato do boi, carrapato do cavalo e tem até carrapato da galinha. O carrapato do boi em sua forma adulta é conhecido como carrapato estrela. Fica grande, do tamanho de um feijão verde, ou até maior. A sua forma larval, o micuim, está nos pastos no período de março a julho. Este tipo de micuim, que pode ficar até 24 meses sem se alimentar, esperando um hospedeiro, no homem causa terrível coceira e inflamação que pode durar mais de um mês. Lá na roça ouvi contar muitos modos de combater ou evitar carrapatos como lavar o corpo com arruda, passar sabão de cinza no corpo antes de entrar no pasto ou até mesmo o benzimento que a sá Dita fazia com orações que a gente não entendia. Dava até medo.

 Muitas vezes tirei da orelha da vaca mimosa uns carrapatos grandes, gordos de tanto chupar sangue. Dizem que carrapato não faz cocô, ele vai se enchendo de sangue, se esticando, esticando, até estourar. Eu nunca vi isso acontecer. Mas lá na roça dizem que é assim, e eles sabem. Certa vez, entrei num pasto de capim alto, num tempo de seca, e fiquei com umas pintinhas amarronzadas na barriga. Eu era criança e não sabia o que era aquilo que coçava demais. Eu me esfregava muito e não saía o incômodo. Tio João mandou que eu ficasse quieto, colocou o pito de um lado, deu uma cusparada no chão e olhou minha barriga, deu uma fungada e avisou: "É o porva". 

Eu não entendi e ele explicou que era um carrapato muito pequeno, “miudim, miudim”, que atarraca o corpo da gente. O carrapato enterra a cabeça no corpo da gente e fica com seu corpo para fora. Não se pode arrancar só a parte visível, só o volume cheio de sangue. É preciso arrancar também a cabeça para que ela não inflame a pele se ficar lá dentro, morta. Contudo, o “porva” é tão miudinho que não se consegue ver onde está a cabeça. Mas tio João, homem sabido, tropeiro viajado por essas montanhas de Minas, descendente  de índios, parente de Aymbere, sabia como tirar o bichinho de minha barriga. Ele encheu a boca com uma boa dose de pinga, pegou de fumo macaia, daqueles ruim que não servem  para pitá, daqueles que se põe no ninho das galinhas para espantar o piolho delas, e jogou a pinga em cima. Amassou bastante até formar uma pasta rala e passou no meu corpo. Aconselhou-me dormir sem tomar banho, coisa que aceitei com alegria.  No outro dia tudo saiu no banho: fumo, pinga e carrapato. Fiquei com a barriga livre. Todas essas coisas se manifestaram na minha memória só porque eu queria reparar uma torneira e o Virgílio me ofereceu uma carrapeta. 

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Santa Rita lamenta o falecimento do estimado Padre Guy

A comunidade Jesuíta brasileira perdeu hoje um de seus membros mais importantes: o Padre Guy Jorge Ruffier, SJ.
Ao longo dos seis anos em que esteve à frente da ETE, Padre Guy teve a missão de substituir o saudoso Padre Raul Laranjeira e, desde que chegou a Santa Rita do Sapucaí, integrou-se à comunidade para promover iniciativas nos mais diversos setores.

Quando assumiu a diretoria da Escola de Eletrônica, em meio às transições naturais do início de sua administração, Guy teve que se deparar com uma ameaça de desapropriação do prédio provisório (Bloco 1) da escola e soube tratar o assunto com grande inteligência e estratégia.

Nos anos seguintes, a ETE acabou se tornando responsável pela gestão do CVT (Centro Vocacional Tecnológico), com a missão de oferecer cursos de capacitação para os trabalhadores e jovens locais. Mais uma vez, a atuação do estimado Padre Guy foi fundamental nesse processo e grandes conquistas foram alcançadas.

Com o apoio dos diretores Ialdo Correia, Prof. Alexandre Barbosa e do Pe. Ramon de La Cigoña, a ETE FMC passou por grandes transformações ao inaugurar o Museu da Eletrônica, criar um Centro de Convivência conhecido como Casa da Paz, oferecer uma nova modalidade (Equipamentos Biomédicos), consolidar o ETE Ensino Médio e criar o CEDEN (Centro de Desenvolvimento de Negócios).

Mesmo com todas essas obras, talvez a maior tenha sido a sua atuação junto ao Hospital Antônio Moreira da Costa. Quando soube da situação precária da saúde local, coube ao Padre Guy – juntamente com outras lideranças – criar um ambiente mais profissional dentro da entidade, estabelecer regras para o bom atendimento e implementar um Centro de Diagnóstico por Imagem, inédito no município.

Como se não bastasse essas ações, não poderíamos nos esquecer que o querido Padre Guy também participou de evangelizações na zona rural, realizou missas, casamentos e mostrou aos santa-ritenses que a verdadeira oração é feita de obras.

Em 2012, Padre Guy foi designado pelo Provincial Jesuíta, Padre Mieczyslaw Smyda, a voltar a dirigir o Colégio Anchieta, de Nova Friburgo e lá permaneceu até que um infarto o levou para outras obras.

Sentiremos muita falta deste senhor de cabelos brancos e palavra franca. Para nós, será inesquecível sua firmeza de caráter e transparência nas ações. O que restará será o sentimento de que aprendemos muito e a saudade por termos o privilégio de conviver com um homem tão simples e humano.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Santa Rita, Rio Verde e a Globalização (Por Salatiel Correia)

Rio Verde e Santa Rita do Sapucaí são dois municípios distantes um do outro, mas ligados ao mesmo momento histórico: o da globalização de suas economias. Falemos um pouco desse momento nos dois municípios.
Localizado no sudoeste do estado de Goiás, a 220 quilômetros da capital, Goiânia, Rio Verde foi ocupado territorialmente no final do século dezenove. Politicamente, a cidade despontou no contexto estadual com a Revolução de 1930, tendo à frente aquele que se tornaria o maior líder da política goiana: o médico Pedro Ludovico, este, fundador de Goiânia e grande aliado do presidente Getúlio Vargas por estes lados do Planalto Central.

Vencida a Revolução de 1930, cujo pano de fundo estadual se centrava na luta entre a agricultura representada pela família Ludovico e a pecuária pela família Caiado (do deputado Ronaldo Caiado), Rio Verde se firmou na política estadual e começou a despontar economicamente até se tornar o que hoje é: um dos celeiros do agronegócio no país. 

Conheci a cidade ainda jovem, quando esta não tinha mais que 50 mil habitantes. De lá para cá, o progresso foi avassalador. O crescimento da economia da terra de Pedro Ludovico refletiu no crescimento da cidade, que conta hoje com cerca de 200 mil habitantes. Para lá migraram, não só gente do sul e sudeste do país, mas dos Estados Unidos, Holanda e até da Rússia. Todos foram para Rio Verde atraídos pela extrema fertilidade de seu solo. Só para se ter uma ideia da riqueza gerada na região, o alqueire de soja tratada chega a custar cerca de 300 mil reais. Falemos um pouco de Santa Rita.

A ocupação da cidade se origina também no distante século dezenove. Desde os seus primórdios, a base cultural da terra da benemérita Sinhá Moreira se centrou na migração europeia (portuguesa, italiana) e do Líbano para a região.

Embora pequena em dimensões, Santa Rita se tornou visível politicamente na chamada República Velha, tendo como figura mais expressiva o ex-Presidente da República Delfim Moreira e, posteriormente, essa visibilidade se elevou pela influência do ex-ministro e presidente da Câmara dos Deputados, Olavo Bilac Pinto. 

As conexões políticas santa-ritenses se manifestavam nas conexões com o governo federal; já as de Rio Verde não eram tão diretas assim, pois passavam pela intermediação do interventor Pedro Ludovico.

A qualidade de vida em Santa Rita, mensurada pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é elevada (0,810). A de Rio Verde, embora elevada, é menor que a de Santa Rita (0,754). Penso que o que elevou o IDH santa-ritense seja algo de que ainda carece Rio Verde: mão de obra qualificada.

Entretanto, a riqueza gerada por pessoa em Rio Verde - considerando dados do IBGE  de 2010 - é mais expressiva do que a constatada em Santa Rita. Traduzindo em números, isso quer dizer que a renda per capita em Rio Verde é de 31.000 reais, enquanto que em Santa Rita ela não passa de 21.000 reais.

Estabelecidas as semelhanças e diferenças, os dois municípios vivem o mesmo momento histórico de um mundo que se globaliza em teias que buscam a vocação econômica de cada região.

A teia de Rio Verde é o agronegócio de poderosas indústrias, como a Perdigão, que se instalaram no município. Já a teia de Santa Rita e seu Vale da Eletrônica vêm se inserindo, paulatinamente, na globalização através dos produtos originados nas suas 150 micro e pequenas empresas.

Embora diferentes nas origens do seu processo civilizatório, conquanto tão distantes uma da outra (cerca de 1400 quilômetros), Rio Verde e Santa Rita se tornam tão iguais no novo Brasil, que está a exigir inovação proveniente da educação que eleva a produtividade de sua economia.

O agricultor da enxada de outrora em Rio Verde tem, atualmente, de lidar com poderosas máquinas colheitadeira de soja, altamente computadorizadas. Já o desafio do trabalhador qualificado santa-ritense se centra na inovação dos produtos advindos de suas indústrias. A economia de Santa Rita mudou a principal base geradora de sua economia, antes alicerçada na agropecuária, para, hoje, centrar-se na indústria. Tanto num quanto noutro município pulsa o espírito empreendedor, motor maior da geração da riqueza numa nova ordem mundial que se globaliza.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, de A Energia na Região do Agronegócio.)

PROJETO LENDAS VIVAS JÁ TEM 7 ATRAÇÕES CONFIRMADAS

Já pensou em um show onde os “artistas” são pessoas de sua comunidade, com histórias extraordinárias para contar? Pois esta é a proposta do “Projeto Lendas Vivas” que acontecerá no dia 23 de agosto, em Santa Rita do Sapucaí (MG). O evento será promovido em uma tenda montada na praça e contará com 10 convidados que se revezarão em um sofá, sobre um pequeno tablado. Cada um deles, terá meia hora para contar suas experiências.


No ano passado, a primeira edição do evento contou com um bom número de visitantes e recebeu diversas personalidades como o neto do Conde Zeppelin (que vive em Santa Rita), um sobrevivente dos campos de concentração da ilha de Java, um artista que pinta apenas abelhas, um pracinha da segunda guerra, dentre outros. A expectativa é que, nesse ano o público seja ainda maior e, como aconteceu em 2014, o evento também será transmitido pela internet.

Até o momento, sete atrações já estão confirmadas.
Confira quem serão alguns dos convidados:

Dr. Luiz Donato
De origem humilde, o santa-ritense Luiz Donato teve uma infância difícil, passou por sérios problemas de saúde e considera que sobreviveu graças a uma intervenção divina. Nos anos seguintes, colecionaria dezenas de histórias e se tornaria referência entre os jovens da cidade. Com muita garra, estudaria medicina em Lisboa, se tornaria diretor do grupo de radiologia do IML de São Paulo e integraria a equipe que realizou a autopsia de Josef Mengele, um dos mais sanguinários carrascos Nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial.

Ricardo Abrahão
O Santa-ritense, Ricardo Abrahão, é cantor lírico, professor de canto erudito, pianista, compositor, arranjador e musicólogo. Estudou em Berlim, onde participou de recitais e concertos, sendo especialista em música erudita alemã. É reconhecido internacionalmente como um dos maiores gregorianistas da América Latina e formador da Scholae Cantorum. Ministra cursos e faz conferências acadêmicas, sendo professor de canto gregoriano no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde cantou para o Papa Bento XVI.

Tainá Desidério
Com 18 anos, a santa-ritense Tainá Desidério tem se destacado no cenário do triathlon nacional. Dentre outras competições, foi campeã do X-Terra em 2009 e do Troféu Brasil de Triathlon, em 2010. A prova de fogo, no entanto, foi quando a jovem teve a promissora carreira interrompida em setembro de 2010, após ser atropelada por um caminhão. Gravemente ferida, ficou temporariamente paraplégica e viu todos os seus sonhos serem colocados em risco. Com o apoio da família, Tainá estava de volta aos treinos em maio de 2011 e se prepara para disputar, no dia 26 de outubro, em Miami, nos EUA, o Ironman 70.3. O circuito terá oito horas de duração e engloba 2 km de natação, 80 km de bicicleta e 21 km de corrida.

Giovanna Brandão
Giovanna Brandão é uma bem sucedida artista santa-ritense que, além de produzir diversas obras, realiza frequentes intervenções nos muros da cidade. O que muitos não sabem é que, há alguns anos, ela passou por um sério problema de saúde e alcançou a superação através da arte. A artista dividirá o palco do "Lendas Vivas" com Tainá Desidério e, juntas, contarão ao público presente como conseguiram transformar seus desafios em histórias de sucesso.

Professor Justino
Professor Justino é uma lenda na cidade. Morador de Santa Rita desde a adolescência, ele acompanhou a trajetória da ETE e do Inatel e colecionou um bom número de histórias, como esta que verão a seguir: "No começo dos anos 60, em uma cidade pequena como Santa Rita, a gente estudava na ETE e apareceu por aqui um circo de “Striptease”. Era engraçado porque os estudantes baixavam todos por lá. Era uma novidade pra todo mundo. Na ETE, éramos todos adolescentes, na faixa de 15 a 18 anos. Houve uma reação por parte da comunidade mais tradicional, mas o circo só enchia! Era um circo mesmo. Tinha as cadeiras à frente e as arquibancadas ao fundo. Como os estudantes, no máximo, conseguiam dinheiro para irem na arquibancada, certa noite um dos nossos colegas levou um binóculo! Você não imagina a disputa que foi! Ele mesmo aproveitou pouco! O binóculo ficou o tempo todo correndo pra lá e pra cá! Cada um puxava para seu lado.”

Felipe Ribeiro
O santa-ritense Felipe Ribeiro é um jogador de basquete profissional com passagem por grandes clubes do país como Ribeirão Preto, Franca, Paulistano e Corinthians. Um dos mais reconhecidos atletas da atualidade, defendeu a seleção brasileira e foi campeão dos Jogos Mundiais Militares. Presença confirmada no "Lendas Vivas 2014" ele contará como conseguiu se tornar um atleta profissional e as experiências vividas nesse período.

Toninho
Um evento de causos sem a presença de um pescador? É claro que não! Toninho é uma preciosidade local. Morador da rua do queima e pescador de profissão, ele conheceu o lendário Dito Cutuba, ajudou a resgatar as vítimas da tragédia da ponte metálica, adora um carteado e colecionou diversas histórias enquanto trabalhou como mecânico. Imperdível.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Os causos do temido Minhocão (Por Cônego Carvalhinho)

O início de uma lenda que balançou as estruturas de Santa Rita

O ribeirão do Mosquito só podia ter esse nome pela abundância de pernilongos concentrados na Lagoa do Bicho, situada numa depressão de terreno algumas braças acima da desembocadura de suas águas, à margem direita do Sapucaí. A temível lagoa guardava uma lenda que os nativos das região (índios) transmitiram aos primeiros habitantes que chegaram àquelas paragens: o terrível Minhocão.  Os índios Sapucaias, não sabendo explicar os fenômenos dos deslizes de terras na montanha e alarmados com as pororocas que se repetiam na lagoa por ocasião das enchentes no Rio Sapucaí, imaginaram uma única causa para a erosão nas fraldas dos morros em que se situavam as minas formadoras da hidrografia da região. Criou-se, então, a Lenda da Lagoa do Bicho que chega até os nossos dias.  Desde 1935, já ouvia falar do Minhocão que morava no fundo das águas lodosas, perto das tubulações e das bocas de lobo, indicando que boa parte dos esgotos da cidade desembocavam por ali. Os garotinhos do bairro Matadouro Velho, ao verem a efervescência das águas, juravam de pés juntos que o minhocão estava ali e botavam a correr...

O pavor que varou  o século

Em 1934, ladrões assaltaram a igreja Matriz e roubaram tudo o que puderam: vasos sagrados, dinheiro dos cofres, toalhas de linho e, com requintes de sacrilégio, arrombaram o sacrário retirando as píxides, espalhando as hóstias sagradas pelo chão. Monsenhor Calazans, o piedosíssimo Vigário, pouco se importou com a vultuosidade do roubo, mas chorou o atentado ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Na ocasião, os ladrões não se esqueceram de levar consigo um molho de chaves que encontraram na sacristia. Com elas, abriram o Sacrário, os cofres e as gavetas das cômodas, onde se encontravam as toalhas e algumas alfaias. Antes de deixar a igreja, tiveram o atrevimento de escrever com carvão do turíbulo, na parede do fundo da sacristia, o seguinte recado: “Monsenhor Calazans, as chaves estão no fundo da Lagoa do Bicho. Mande o Artur Sacristão buscá-las, se não tiver medo do Minhocão.” Tal recado tirou um sorriso de desdém do velho Padre, sorriso que, lá no seu íntimo, era um ódio sagrado pelo que tinham aprontado os ladrões.  Para um bom número de pessoas, o fato só trouxe mais pavor do Bicho, que ainda morava no fundo da lagoa. 

Desde muito tempo, a Lagoa do Bicho secou. Um aterro de 8 metros, desde o nível das águas do Sapucaí, aplainou toda a área alagada para construir a moderna Escola Técnica de Eletrônica. Com isso, Dona Sinhá e os padres Jesuítas levantaram um monumento que veio a ser a maior escola do gênero no Brasil. Ao destruírem a lagoa e canalizando o ribeirão do Mosquito, afastaram para sempre o pavor que os santa-ritenses nutriam pelo Minhocão, acabaram com o inferno dos pernilongos e exorcizaram o fantasma das epidemias. O folclore, no entanto, permanece para o conhecimento dos novos santa-ritenses e dos alienígenas que aportaram em Santa Rita nos dias atuais. Se assim procedi, contando a história do temido Michocão, é porque, como históriador da terra que estimo como minha, jamais poderia desprezar o seu rico folclore, que vem enfeitando, desde o final do século dezoito, as paragens do Mosquito e de seu irmão gêmeo, o Vintém.

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Arte nas ruas de Santa Rita do Sapucaí - O cinza se tornando colorido

Trabalho da artista Giovanna Brandão, no centro da cidade.
Fonte: blog-observando.blogspot.com.br

Caminhando pelas ruas de Santa Rita do Sapucaí, muitas surpresas surgem no caminho. A cada muro colorido, um sorriso no rosto de quem passa.

As intervenções artísticas dos santa-ritenses Diego DAS e Giovanna Brandão estão por toda parte. 

Na correria do dia-a-dia, na pressa de chegar ao trabalho ou à escola e com os olhos na tela do celular, muitas vezes deixamos de observar o céu azul, os pássaros cantando e a arte espalhada pela cidade.

A arte merece nossa atenção!


Esta imagem aqui é da pista de Skate, na Beira Rio. Trabalho do artista e skatista Diego Das:
Este trabalho é uma parceria entre os artistas, também na Beira Rio.
Você já observou essas intervenções artísticas em nossa cidade?
Já parou para pensar como a arte pode transformar nossas vidas?

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ex-aluna ETE Ensino Médio é aprovada em federal pela nota do ENEM

Carolina Faustino Carli, 18 anos, concluiu o ensino médio regular na Escola Técnica de Eletrônica em 2013 e conquistou uma vaga no curso de Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto pela nota do ENEM (Exame Nacional  do Ensino Médio).
“A ETE sempre foi referência na área técnica, mas como eu não me identificava com o segmento de eletrônica, optei em fazer apenas o ensino médio. Hoje, vejo que foi uma excelente escolha, porque a escola me ofereceu uma formação excepcional e me proporcionou entrar direto em uma universidade federal”, conta Carolina. 

Os alunos que ingressam no ETE Ensino Médio, desde os primeiros dias de aula, são orientados a otimizar o tempo e criar o hábito do estudo. “A rotina da ETE ajudou muito para que eu me adaptasse em outra cidade. Desde o primeiro ano, os coordenadores nos mostram que, apesar da pouca idade, somos responsáveis pela nossa vida escolar e que as nossas escolhas no ensino médio refletirão em toda a vida acadêmica”, relata.

Segunda Carolina, no terceiro ano, os professores aconselham a definir a profissão com que se identificam e elaboram materiais extras, específicos para as áreas escolhidas, que auxiliam na preparação para o vestibular. Outro ponto ressaltado por ela, são as listas de exercícios com questões dos últimos vestibulares nas aulas práticas.

Para a ex-aluna, além do desempenho acadêmico, o diferencial da ETE está na formação humana. “As notas importam, mas não é apenas isso. Os professores se preocupam em oferecer uma base para a vida. Na ETE aprendi a ter compromisso com meus deveres e o ambiente é propício para o crescimento. A escola oferece o suporte necessário para que sejamos excelentes profissionais no futuro.”, concluiu a ex-aluna.


Nos últimos anos a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa vem conquistando boas classificações no ENEM, com destaques para disciplinas de Matemática e Redação.

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terça-feira, 15 de julho de 2014

Lembranças da Copa do Mundo

Não torço para nenhum time de futebol. Mas, Copa do mundo é diferente. O coração bate mais forte,creio que nenhum brasileiro fica indiferente! Eu tenho algumas lembranças de copas, umas boas e outras péssimas. Em 1950 vi meu irmão Dodô colecionar figurinhas e esperar uma vitória brasileira como se espera o primeiro filho. Era um apaixonado pelo futebol. E  vi meu irmão  sofrer como nunca havia visto ninguém. Comecei a entender o que era a Copa. Em 1970 foi só alegria... Nós, em nosso carrinho, e nossos filhos sentados sobre o capô (naquele tempo era permitido!)  acompanhamos a passeata e o buzinaço da vitória da nossa seleção no México. Se alguém perguntar vitória sobre quem, eu não saberia responder... Só me lembro da euforia! Espera lá! Parece que foi sobre a Itália! Veio-me à lembrança  uma torcida empolgada,de amigos,  diante da TV de nossa casa,de amigos  que não possuíam aparelhos de TV. Xingavam a Itália com os mais feios palavrões e a minha  mãe, italiana legítima, queria pôr todo mundo pra correr! Tive que ficar trancada com ela em seu quarto para evitar o pior,  até o apito final. E só depois que tudo sossegou, ela já dormindo, saí para festejar. Depois, bem, não me lembro o ano. Afinal já disse que não sou tão chegada ao futebol, mas o fato não posso me esquecer. Estava toda família reunida, tivemos que improvisar o quintal pra caber todo mundo. Nosso neto, Felipe, uma criança ainda, torcia apaixonadamente. Filho do Junior e neto do Ivon, só podia agir assim! Enrolado numa bandeira do Brasil, seria a primeira vitória do Brasil que iria comemorar. Infelizmente o fenômeno desfenomenou e a vitória foi da França Ô frustração, ô dó do Felipe! Para mim, veio à mente,  naquele momento, o Dodô e a derrota para o  Uruguai. A mesma sensação de impotência, de revolta, de raiva explodindo como um vulcão. Até hoje esse craque me é antipático pelo modo como agiu. Outra, bem melhor, foi a de 2002. Estávamos em Recife, almoçando num restaurante, todos os olhos voltados para um telão, quando Cafu levantou a taça e fez aquela declaração de amor a sua esposa. Valeu! Gostei ainda mais daquela capital. Outra vez a Copa será no Brasil. Um Brasil com um comportamento incrivelmente diferente. Muitos estádios novos ou reformados, planejamento visto pela TV e a insatisfação do povo pela situação. A corrupção existente e sempre abafada veio à tona, e a população, que sofre com falta de habitação, desemprego, transporte, atendimento hospitalar e escolas ruins porque os profissionais não são bem pagos, reagiu com manifestações justas, mas infestadas de baderneiros. A confusão causou estragos além do limite. Até a natureza  conspirou contra, com a grande seca e as inundações antes nunca vistas. A turbulência tirou-nos a paz antes, durante e parece que  vai continuar depois da festança da Copa! Brasil, país potencialmente rico, brasileiros patriotas, vendo esvair o imposto que pagam, pelos dedos das mãos de uma turma de corruptos! Mas viva a Copa! Viva o futebol com seus gastos exagerados! Vamos curtir porque a festa este ano é nossa! Faz de conta que todos estão felizes, temos pão (bolsas diversas) e circo... Bem, nem todos, ainda! Neste dia em que escrevo muitas seleções já foram eliminadas e fazem a viagem de volta. Quero que o Brasil seja hexa,  torço por ele, mesmo sentindo a falta de um reforço de Ronaldinho e Cacá  na seleção,  mas se não for campeão, ao menos tem esta vantagem: não precisará da viagem de volta! 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Troca de figurinhas da Copa do Mundo movimenta manhãs de sábado

Nove e meia da manhã de um sábado, caminhava pelo centro de Santa Rita, mais precisamente em frente à Banca do Caruso, quando notei um movimento incomum. Em alguns bancos que contornavam a praça, crianças e adultos começaram a chegar com álbuns debaixo do braço, tiraram dos bolsos algumas folhas de papel com números rabiscados e envelopes repletos de figurinhas. Eu me aproximei para ver o que se passava e tomei conhecimento de um ritual que se tornou comum nos últimos meses: a troca de figurinhas da Copa do Mundo. Para participar não era preciso se apresentar. Bastava abordar um dos colecionadores e pedir para ver suas figurinhas repetidas. Caso se interessasse por alguma, mas não tivesse outra para oferecer em troca, o preço estava afixado em 20 centavos, mesmo valor do custo unitário de uma figurinha nas bancas da cidade.
Ao tentar desvendar como surgiu aquele movimento, imaginei que sábado seria o dia em que a criançada recebia a “mesada”, mas um dos colecionadores me deu a dica: “os pais estão de folga e saem com os filhos, ou sem eles, para tentar completar a coleção.” A integração era interessante e bem difícil de acontecer, hoje em dia. Não consigo ver de que outra maneira um empresário faria amizade com uma avó ou uma criança, de maneira tão natural.
Em pouco mais de meia hora, a meia-dúzia de crianças e adultos se multiplicou e chegava a cerca de 30 colecionadores de todas as idades. Havia diversas bicicletas estacionadas em torno do grupo, carros com famílias inteiras à procura de um bom local para parar, mulheres com crianças de colo e estudantes. Com folhas de papel que traziam os números das figurinhas que ainda faltavam, avós faziam negociações de igual para igual com meninos vestidos com camisetas da seleção e rabiscavam as últimas conquistas. Pouco a pouco o número de colecionadores aumentava e o jardim que ladeava a estátua de Francisco Moreira ficou apinhado de pessoas vindas de todos os cantos da cidade.
“Tudo começou de maneira espontânea. As crianças compravam as figurinhas aqui na banca e iam trocar as repetidas do outro lado da rua. O número de colecionadores já foi maior. Acho que a cidade inteira coleciona. Boa parte, já completou o álbum.” – conta Chico Caruso, proprietário da banca. Um dos frequentadores do local conta que foi criado um grupo no Whatsapp (aplicativo para bate-papo através do celular) especialmente para combinar os encontros. “No meu tempo, batíamos figurinhas. Hoje as trocas ficaram mais sofisticadas. Pelo jeito, os encontros irão continuar até o fim da copa.” - teorizou um freguês.
(Por Carlos Romero Carneiro)

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Ex-aluno da ETE FMC é mestre em Física e cursa doutorado na França

“Depois de estudar três anos na ETE, temos a real impressão de que podemos passar por qualquer universidade”, conta José Tarcísio Costa. 
Após concluir o curso técnico em eletrônica, José Tarcísio foi aprovado em quatro universidades de renome nacional e optou pelo curso de Física, na UniCamp (Universidade Estadual de Campinas). No sétimo período, conseguiu uma bolsa para estudar um semestre na Universidade de Barcelona, na Espanha. Posteriormente, integrou outro programa de bolsa de estudos e passou quase um mês na universidade de Xangai, na China.

Mesmo antes de concluir a graduação, foi aceito em um mestrado coordenado pela Universidade de Gante, na Bélgica.  Segundo ele, as regras do programa diziam que, para obter o título de mestre, cada estudante teria que seguir cursos em, pelos menos, três universidades parceiras. “Estudei o primeiro ano na Universidade da Lorena, em Nancy, na França, o primeiro semestre do segundo ano no Instituto Real de Tecnologia, em Estocolmo, na Suécia e, por fim, o último semestre do segundo ano na Universidade Carlos III em Madri, na Espanha”.

Após sua defesa de dissertação do mestrado, foi aceito para um doutorado na França, dentro de uma parceria entre a "Universdade de Nice-Sophia Antipolis" e o "Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique (INRIA)".

Natural de Cachoeira de Minas, o ex-aluno da ETE, hoje com 28 anos, está concluindo doutorado na França, e relembra com saudades o período em que esteve na Escola Técnica de Eletrônica. “Passei três anos maravilhosos na ETE. Não podemos negar que é uma escola muito exigente e com uma rotina bem puxada, mas é justamente isso que a faz tão especial. Depois de passar por esses três anos de estudo, temos a real impressão de que podemos ingressar em qualquer instituto de ensino. A ETE nos ensina a organizar nosso tempo e otimizar as atividades. Enfim, se não tivesse passado por ela, não teria tido toda essa motivação e, certamente, não chegaria até aqui.”. 

Na reta final do doutorado, a previsão é de que defenda sua tese em setembro de 2015, com a linha de pesquisa física de plasmas aplicada à fusão nuclear. “O futuro ainda não está programado. Após defender o doutorado posso voltar para o Brasil. Tudo vai depender das oportunidades. Se, por acaso, encontrar uma posição por aqui ou até mesmo um pós-doutorado, devo continuar na França. Se as oportunidades surgirem no Brasil, volto ao meu país”, concluiu José Tarcísio, ex-aluno da ETE FMC.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Jogo de várzea na Copa do Mundo

- Por quanto está vendendo o ingresso do jogo do Brasil?
- Dois ingressos por 35 mil Reais.
- Ok. Se eu conseguir vender meu rim, te dou um toque.
Foi assim o início da nossa procura por entradas da Copa do Mundo, dias antes dos jogos. Com muita paciência, conseguimos 3 ingressos para o jogo de uma das favoritas, a Inglatera, contra um time desco-nhecido da América Central: a Costa Rica. O que não contávamos é que, na terceira rodada, boa parte das seleções consagradas seriam despachadas pelos países vizinhos e que mudaríamos a perspectiva da partida. Naquela altura, os britânicos já estavam desclassificados e a pequena Costa Rica, ao vencer os dois primeiros jogos, transformava-se na sensação (ou zebra) da Copa. De um lado, teríamos a campeã de 1966 tentando lavar a honra. Do outro, um time desconhecido tentando fazer história. 

Depois de 5 horas de viagem e vinte minutos de caminhada, chegamos ao Mineirão, palco da cancha. Confesso que nunca tinha visto um jogo em estádio, com exceção das peladas que meu pai me levava pelos campos da região.

O clima da Copa espalhava-se por todos os cantos e nos mostrava que aquilo não era apenas uma competição esportiva. Tratava-se de uma forma que o mundo encontrou de se confraternizar. Pessoas fantasiadas, cartazes, crianças, periguetes e atores... tinha de tudo.

Na fila de entrada, nos vimos entre uma multidão de ingleses, quase transparentes e de cabelos vermelhos. Se existisse televisão com cheiro, o telespectador poderia experimentar o que sentimos naquele momento: um fudum fortíssimo de álcool curtido, resultado de dias sob o efeito radioativo da cagibrina. A organização do evento estava impecável. Era preciso passar por diversos níveis de segurança até a entrada por um portão específico que nos levaria ao local exato de nossas cadeiras. Faltava pouco para ver o que só conhecíamos pela TV.

O isolamento acústico do estádio é impressionante. Até alcançar uma das portas que leva ao campo não é possível ouvir absolutamente nada. Ao entrar, entretanto, senti como se uma forte corrente elétrica percorresse meu corpo, resultado do impacto causado pelos gritos ensurdecedores da torcida. Incrível. Emoção mais próxima do que essa, somente quando o glorioso Bloco dos Democráticos acendia as suas luzes, no morro do “Zé da Sirva”, em terça de carnaval.

Nas arquibancadas, uma confusão de cores. Multidão. Barulho. Meu filho ficou maravilhado ao ver que tudo o que conhecia pela TV estava bem ali, à sua frente. Estar em um estádio é colocar-se em contato com uma grande quantidade de informações. O jogo é apenas um detalhe. Mil coisas acontecem ao mesmo tempo, a vibração é impressionante e você não sabe para onde olha.

A bola rolou e devo dizer que esperava mais da partida. Não vi muita diferença entre o corre-corre dos jogadores, bem mais franzinos do que a TV mostra e as pelejas que costumava assistir no campo da Liga. Como estávamos na primeira fila, vimos cada detalhe do que acontecia no surrado gramado e refiz, meio sem querer, algo que era comum enquanto meu pai estava vivo: fotografar os equipamentos de filmagem para que ele soubesse a quantas andava a tecnologia.

0 x 0. Os ingleses se exaltaram do outro lado do campo e entrou em cena a equipe de segurança para conter os ânimos. Na saída, um torcedor viu meu filho com a camisa do São Paulo e puxou conversa. Ele perguntou quando o Gabriel fazia aniversário e, ao descobrir que nasceram no mesmo dia, tirou uma bandeira do pescoço e o presenteou: “Esta é do Hexa.” – disse orgulhoso.

Ao deixarmos o estádio, a tropa de choque preparava-se para dar um “amansa leão” nos ingleses. Tiramos algumas fotos, demos mais uma conferida naquele fim de festa e caçamos o rumo do estacionamento.

Já em Santa Rita, 5 horas depois, as imagens daquele espetáculo permaneciam gravadas na minha retina. Podia fechar os olhos que as cenas não desapareciam. Chegava ao fim do dia em que experimentava uma das sensações mais incríveis da minha vida. Antes de dormir, prometi voltar mais vezes aos estádios e entendi porque o futebol é tão cultuado, seja no Brasil, na Capituva ou no ponto mais esquecido do planeta. 

(Por Carlos Romero Carneiro)

Oferecimento:

A devoção de um cãozinho santa-ritense por seu melhor amigo

 “Sempre ao seu lado” é a versão americana de um filme japonês (Hachikô monogatari) que narra a história de amizade entre um cãozinho da raça Akita com o seu dono, Hidesaburo Ueno. A história conta que, diariamente, Hachiko acompanhava o professor universitário à estação e aguardava até o final da tarde, quando retornavam juntos para casa. Com o falecimento do dono, o cãozinho continuou o ritual de ida e vinda à estação, até a sua morte, sete anos depois. Os habitantes de Shibuya ficaram tão comovidos com aquele gesto que uma estátua de Hachiko foi erigida na estação e, até hoje, é realizada uma cerimônia anual em homenagem a ele. 
Em Santa Rita do Sapucaí, casos semelhantes foram testemunhados e demonstram o quanto pode ser profundo o amor de um cão por seu dono. O primeiro fato de que se tem notícia data do falecimento do Sr. Armando Domingues, responsável pela construção das grutas da Vista Alegre e da pracinha do antigo mercado. Durante o velório do construtor, algumas pessoas notaram que seu cãozinho não saía de baixo do caixão e tentaram, sem sucesso, retirá-lo da sala. Na subida da ladeira que dá acesso ao cemitério, construída pelo próprio Armando, o animal acompanhou o cortejo e manteve-se próximo, até o sepultamento. No dia seguinte, Dona Benedita deu falta no cãozinho, mas não conseguia encontrá-lo. Depois de correr a vizinhança, resolveu retornar ao cemitério e emocionou-se ao vê-lo, já sem vida, ao lado do jazigo de seu marido.

Jamil, coveiro do cemitério, afirma que, até pouco tempo, havia um cão que, com a morte do dono, também passou a frequentar o local. Toda vez que os sinos da igreja anunciavam a morte de alguém, o animal ladeava o carro funerário e o acompanhava até os portões.

No ponto mais alto do cemitério, bem em frente ao mausoléu da família do Coronel Gabriel Capistrano, encontramos um vira-lata negro, com as patas já tingidas por pelos esbranquiçados, muito sujo e com as costelas salientes. Seus movimentos eram lentos e ele não respondia ao chamado. Os funcionários do cemitério deram a ele o nome de Negão e contam que, há tempos, ele perambula por ali.

Há alguns anos, era bem diferente a vida daquele bichinho. Com pelagem negra muito brilhante, era sempre visto, junto com outros cães, ao lado de seu dono. Chico Dorico tornou-se muito conhecido em Santa Rita por puxar uma carrocinha carregada de material reciclável, sempre com passos curtos, vestimentas desgastadas, chapéu de palha e as costas arqueadas pelos anos de trabalho árduo. 
Chico Dorico e seu cãozinho.
Com a morte de Dorico, o cãozinho passou a esperar pela abertura dos portões do cemitério e permanece no recinto até que o último funcionário vá embora. Debilitado, o bichinho começou a se alimentar com as carnes que ganha de um açougue do mercado e, desde então, perambula por entre os túmulos.

Há quem diga que não resta muito tempo para o cachorrinho. Algumas pessoas calculam que já tenha cerca de 15 anos e que sua falta de reação seja reflexo da idade avançada. Outros dizem que ele nunca mais foi o mesmo desde que  perdeu o melhor amigo. Não há quem duvide, entretanto, da devoção do animal por Joaquim Dorico e do sentimento de amor que os une até hoje. Exemplos como estes demonstram que o título de “melhor amigo do homem” cabe muito bem a estes leais bichinhos.

(Fomos informados que o "Negão" faleceu um dia após a produção desta reportagem)

(Carlos Romero Carneiro)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Empório 78 - Hoje - Nas Bancas!

Nesta Edição:

- A devoção de um cãozinho santa-ritense por seu dono.
- Troca de figurinhas da Copa do Mundo movimenta manhãs de sábado
- Jogo de Várzea na Copa do Mundo (Por Carlos Romero Carneiro)
- Copa do Mundo 2014 (Por Rita Seda)
- A terrível lenda do Minhocão da Lagoa do Bicho (Por Cêngo Carvalhinho)
- Você quer uma carrapeta! (Por Ivon Luiz Pinto)
- Rio Verde, Santa Rita e a Globalização (Por Salatiel Correia)
- É menino ou menina? (Por Danlary Tomazini)
- Notícias da Leucotron, no Brasil e no exterior
- Lendas Vivas tem atrações confirmadas
- Arraiá da Copa no Colégio Tecnológico
- Ao finalizar o primeiro semestre na ETE, Homero e sua filha avaliam o curso
Aluna do ETE Ensino Médio é aprovada em várias universidades públicas 
e conta o segredo para o seu excelente desempenho
Ex-aluno da ETE FMC atua em empresa petrolífera
- Conectando Ideias é o tema do TEDxInatel 
- Parceria com Agilent/Keysight Technologies possibilitará nova certificação a alunos
Inscrições abertas para o Mestrado do Inatel 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Festival de Jazz e Blues agita Santa Rita no mês de agosto

Segunda edição do Vale Music Festival será totalmente grátis, contará com artistas de peso no cenário nacional e traz mini feirinha gastronômica como novidade. 
Nos dias 15 e 16 de agosto, Santa Rita do Sapucaí será palco da segunda edição do Vale Music, festival de Jazz e Blues que gerou uma ótima repercussão no ano anterior. Em 2014, o evento reunirá bandas regionais e artistas de peso no cenário nacional. Serão ao todo 6 atrações, sendo 2 shows no bar Parada Obrigatória na noite de sexta, dia 15, e 4 shows na praça Santa Rita, no sábado, 16 de agosto, de tarde. A grande novidade será a mini feirinha gastronômica, que, no sábado, reunirá chefs e estabelecimentos locais para oferecer opções diferentes em gastronomia, a custos acessíveis, além de produtos da região, com uma cerveja artesanal feita em Santa Rita.

No sábado, 16/08, o festival tem inicio as 14:30, com a apresentação da banda de blues instrumental JekaJam, de Itajubá, liderada pelo guitarrista Flávio Agrícola, ex-integrante da extinta banda Assassinato em Veneza, que fez grande sucesso na região nos anos 90. Em seguida, as 16h, será a vez da On The Street Jazz Band, que trará ao festival o tradicional jazz  de New Orleans. A banda é o novo projeto do músico Edu Marck, que já participou dos mais prestigiados festivais de jazz & blues do país. As 18h sobe ao palco o novo projeto do guitarrista Sandro Nogueira, que traz convidados de peso como o contrabaixista Thiago Espírito Santo, referência mundial no jazz instrumental, o saxofonista Cássio Ferreira, o pianista Diego Nogueira e o baterista Carlinhos Mazzoni.  Quem fecha a noite é a Patronagens Band, banda de Santa Rita que vem conquistando enorme destaque no cenário do blues mineiro, e apresentará um tributo aos grandes guitarristas de blues do século passado.

Na sexta, 15/08, o bar Parada Obrigatória receberá a Zamat Blues Band, trio sulmineiro de blues, e um show acústico do Bertolini Blues, projeto do guitarrista santarritense Luiz Fernando Bertoloni.

Todas as atrações serão gratuitas e só puderam ser realizadas graças ao Festival de criatividade e inovação Cidade Criativa, Cidade Feliz, do qual faz parte da programação, e ao patrocínio e apoio da Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí, Inatel Cultural, Leucotron, Sindvel, Grupo Giga, Boutique Thenácy, Pìxel TI, FAI, Bloco do Urso, Cerveja Libertas, Básico Fashion by Henring, Ativa Soluções, Sport & Cia, D2FM e Bertoloni Music & Science, Idea Comunicação Integrada, Sapucaí Eventos, Parada Obrigatória, ACEVALE e Adega do Patrão.

Para mais informações, acesse a fanpage do evento em https://www.facebook.com/ValeMusicFestival

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Autor Santa-ritense fará apresentação de seu livro à comunidade

PRESTIGIE A CULTURA SANTA-RITENSE
7 de junho de 2014, lançamento festivo das EDIÇÕES ALCA - Academia de Letras, Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucaí e seu primeiro livro "Reconstituição Vital" de Víctor Hugo Neira Muñoz, onde o autor estará disponível para conversar e fazer um brinde cultural...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Curso imperdível no Inatel


Festa lascada na Escola de Eletrônica

Ao anoitecer de 7 de junho, centenas de alunos se transformaram em matutos, pegaram uma picada pela avenida Sinhá Moreira e começaram a desembarcar no campus em bicicletas, charretes, carros de boi e artomóvis. Imprevistos foram muitos. Alguns ficaram sabendo que a ponte sobre o rio Sapucaí tinha quebrado, descobriram que era mentira, desviaram da cobra e formaram fila indiana enquanto faziam o caminho da roça. A festa estava animada e contou com a participação de um DJ que foi de Tião Carreiro às Marcianas com uma desenvoltura inacreditável. No arraiá, caipiras eram detidos em um confortável xilindró, enquanto outras personalidades se deliciavam com comidas típicas, bebericavam quentão e dançavam ao som de Amado Batista. No salão, o mais extraordinário sorteio de prendas e assados das redondezas. Tinha de tudo: de frango a eletrodomésticos e difícil foi o caboclo que não saiu com um prêmio no imborná. Na hora da quadrilha, futuros técnicos, estadistas e doutores, formaram seus pares e fizeram evoluções de botar inveja no Carlinhos de Jesus. Nunca se viu uma festa junina tão animada quanto a daquela noite fria e de céu azur. Carros se acotovelavam nas ruas que davam acesso à escola e uma multidão de visitantes chegavam de toda a freguesia. Os professores e funcionários da ETE FMC ficaram felizes que só vendo. “Formidáver!” – disse um deles. “Supimpa” – bradou a outra. “É nóis.” – arrematou o terceiro. De lá pra cá, a tradicional Festa Junina da ETE ficou mais garbosa do que nunca e já tem gente fazendo planos para junho do ano que vem.