Santa-ritenses no limite da loucura (Por Carlos Romero Carneiro)

No início dos anos 90, uma promoção idealizada pela então aniversariante D2 FM, iria virar Santa Rita do Sapucaí de cabeça para baixo e daria assunto para a próxima década. Tratava-se da “Demonstre o seu amor pela D2”, promoção aloucada que daria um Fusquinha do Itamar ao ouvinte que fizesse maior proeza pela rádio do senhor Rui Brandão.

Da noite para o dia, começaram a surgir os feitos mais inacreditáveis, todos gravados em vídeo pelos próprios participantes.

A primeira que eu tomei notícia foi de um homem que passou a noite pelado no cemitério. O mesmo cidadão também teria seu registro feito em vídeo enquanto era enterrado vivo. Também soube de um rapaz que contratou um helicóptero para fazer uma chuva de rosas sobre a rádio.

Em alguns dias, uma moça de corpo escultural desceria de um carro em um sabadão de praça lotada e desfilaria nua até chegar à sede do Country Clube. Diante da incredulidade dos santa-ritenses, a menina de corpo e rosto pintados, rebolava que nem uma louca e dizia ter o poder de “abalar as estruturas da cidade”.

Enquanto algumas pessoas eram mais contidas e apresentavam canções, poesias ou demonstravam seu amor pela rádio de uma maneira mais simples, outros queimavam pestana para chocar os jurados. Naquela temporada, um chapa que morava na rua do queima teria uma ideia que faria dos concorrentes meros expectadores de sua façanha. Às margens do Rio Sapucaí, recolheria cerca de 20 baratas (não daquelas de laboratório) para comê-las vivas, diante das câmeras. Para completar, convidaria um amigo a comer outros 3 indefesos besouros de três cornos, o que aumentaria ainda mais as suas chances.

Dizem que, após comer os bichos mais antigos (e nojentos) do planeta, o rapaz foi levado a um médico que lascou-lhe um diagnóstico: “Esse não dura um mês”. O chapa não só viveu para contar história, como dividiu o prêmio com o amigo dos besouros em forma de baconzitos e só não levou o fusquinha naquela hora mesmo porque não sabia dirigir.
No ano seguinte, o concurso foi mais elaborado. A premiação aconteceria em noite de gala na boate Maracanã. Dentre os favoritos, um rapaz que contou cada grão de um saco de arroz, dois amigos que disseram ter caminhado de joelhos de Santa Rita a Pouso Alegre e os vencedores daquela edição: um grupo que construiu uma rampa às margens do rio e lançou um fusca na correnteza pilotando o veículo, sentados na capota.

No final da premiação, lembro do quarto colocado quebrando o troféu no joelho em frente à casa noturna. Estava indignado. Não acreditava que a sua demonstração de amor tivesse sido aquém da façanha de Pirula e seus amigos… mas foi.

Depois daquele ano, não soube de outro evento de tamanha repercussão como aquele. O politicamente correto permitiria que algo assim acontecesse novamente? O fato é que o evento marcou uma geração e ainda traz lembranças a quem viu tudo aquilo.

2 COMMENTS

  1. Estava aqui lembrando da época das gincanas ciclisticas.

    Vocês já fizeram alguma reportagem sobre elas?

    Boas lembranças, afinal nossa equipe só não ganhou a primeira…..kkkk

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