Como o atentado às torres gêmeas influenciou Santa Rita

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De todas as criaturas, possivelmente, fui o último a saber do atentado às torres gêmeas. Em 2001, ainda era estudante: trabalhava de tarde, estudava de noite e saía de madrugada. Como tinha ido a uma festa, cheguei em casa no momento em que o primeiro avião se chocou contra a torre sul, mas passei longe da televisão. Só quando acordei, na hora do almoço, foi que um colega disse que o World Trade Center havia sido alvo de um atentado terrorista. “World Trade o quê?” Nunca tinha ouvido falar daqueles dois riscos de concreto que cortavam o céu de Manhatan.

Anos depois da tragédia, o mundo nunca mais foi o mesmo. Bilhões foram dizimados com aqueles edifícios, a América torrou o que não tinha para derrotar uma organização escondida em um dos países mais pobres do mundo, bancos foram socorridos com o dinheiro dos contribuintes americanos, multinacionais faliram e o mundo tremeu com uma grande crise financeira. Será que Bin Laden imaginou que sua ação levaria o país mais poderoso do mundo a raspar os cofres e a ameaçar um calote monstruoso, depois de uma década? Provavelmente, não.

Para comprovar o impacto que o ataque ao WTC teve na vida dos santa-ritenses, pedimos para que algumas pessoas contassem o local exato onde estavam quando souberam da notícia. Cada uma delas vivia um momento distinto, mas, em todos os casos, aquele dia nunca mais saiu de suas memórias.

Maria Luiza Amaral

“Estava trabalhando no Colégio Tecnológico, quando a professora Ana Cristina chegou falando que estavam atacando os Estados Unidos… Pensei: ‘É o fim do mundo!’. Enfim, foi o fim de um mundo como conhecemos.”

Stela Garcia

“Me lembro perfeitamente desse dia. Estava começando o meu dia de trabalho na Ericsson e um amigo ligou dando a notícia. Ele estava atordoado. Conversava comigo e, ao mesmo tempo, se questionava se o que estava vendo na TV era um filme. Ele descrevia o que via na TV e, de repente, falou: ‘Peraí! Estão atacando a outra torre! Não… não é repetição da primeira. É a outra torre mesmo!’ Nessa hora, eu já tinha conseguido chegar a uma sala em que tinha TV e algumas pessoas assistiam ao noticiário. Ficamos embas-bacados. Algumas semanas depois, fui para os EUA e, aí sim, senti o terror deles. Tive que passar pelo detector sem sapatos, pegaram meu notebook, entraram numa sala e só saíram de lá 30 minutos depois. Medo… todos eram inimigos.”

Joice Carneiro Brandão

“Eu estava em casa matando aula, porque tinha prova de biologia e não tinha estudado. Como tinha ficado em casa, fiquei assistindo Maria do Bairro e, de repente, surgiu o plantão de notícias, mostrando o desastre…”

Cleudys Bertelli Júnior

“Eu morava em Pouso Alegre e assisti pelo UOL. Demorou para cair a ficha, pois achávamos que o território americano era inviolável. Acho que o coração de todos que estavam vendo aquilo parou por uns instantes. Fiquei ima-ginando a agonia das pessoas e dos familiares que sabiam que algum parente ou amigo estava no local. Ainda hoje, quando vejo uma fotografia, me emociono.”

Alberto Paduan

Um amigo telefonou e disse para eu ligar a TV porque uma das torres gêmeas havia sido atingida por um avião. Tanto eu como esse amigo somos pilotos e, quando vi, achei que tinha sido acidente. Estávamos ainda falando ao telefone, quando a segunda foi atingida. Vimos aquilo no exato instante e, pela forma com que o segundo avião atingiu a torre, ficamos com a quase certeza de que não era acidente!”

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