Santa Rita se despede da querida santa-ritense Maria Luiza Matragrano

Conheça a experiência fantástica de nossa conterrânea que viu o Dirigível Zeppelin. Leitora assídua do Empório de Notícias, Maria Luiza Matragrano nos deixa hoje. Descanse em paz, querida amiga!

Maria Luiza Matragrano tinha apenas 6 anos de idade quando, em 1936, seu pai, o famoso comerciante, Antônio de Cássia Filho, precisou realizar uns exames no Rio de Janeiro, para tratar um problema cardíaco, mais precisamente na válvula mitral, considerado incurável até então.

Antes de partir, o Doutor Antenor já havia feito o diagnóstico, mas o Sr. Cássia preferiu buscar uma segunda opinião, desta vez com equipamentos específicos para a sua necessidade. Maria Luiza conta que seu pai tinha sérias limitações por conta da enfermidade e era absolutamente proibido de fazer esforço excessivo, jogar futebol ou praticar exercícios físicos. “Desde pequeno sofria crises de falta de ar e arritmia. Por este motivo, minha avó decidiu levá-lo ao famosíssimo doutor Miguel Couto.” – lembra a filha mais velha do comerciante.

Ao chegar ao Rio de Janeiro, o diagnóstico do renomado médico foi exatamente igual ao do Dr. Antenor. Espantado com a precisão do clínico santarritense, Miguel Couto falou: “Vocês não são de uma cidade minúscula do sul de Minas? Como podem ter conseguido diagnosticá-lo sem a aparelhagem que temos por aqui?”

Uma experiência incrível

Ao deixarem o consultório, Sr. Antônio de Cássia gostou tanto do clima da capital do Brasil que decidiu passar lá, uns meses com sua família. Nesse meio tempo, entre uma visita e outra aos pontos turísticos da cidade maravilhosa, uma visão marcou para sempre a vida daqueles santarritenses. Por coincidência, o lendário dirigível Graf Zeppelin acabava de chegar ao Brasil, vindo da poderosa Alemanha de Adolf Hitler.

Maria Luiza conta como foi ver o dirigível mais famoso de todos os tempos: “O Zeppelin voava muito baixo, bem devagarinho e, como ainda não havia prédios na cidade, ele passava a impressão de ser algo monstruoso. Ele era enorme e sua sombra cobria boa parte das casas.  Por onde passava, a luz do sol desaparecia e todos saíam às ruas para ver aquele espetáculo maravilhoso. Quando eu fecho os olhos, ainda consigo vê-lo com perfeição. Ele parecia ser todo metálico e tinha umas facetas que o contornavam. Sua superfície não parecia ser lisa. A impressão que dava era a de que ele era formado de placas. Debaixo dele, havia uma cabine de controle, onde era possível ver com nitidez os tripulantes que o dirigiam. Lembro-me do meu pai dizendo que aquele aparelho havia sido construído pelos alemães, considerados um povo muito evoluído para a época.”

A filha do Senhor Cássia conta que, dia desses, perguntou à sua irmã, Maria do Carmo,  se ela se lembrava daquele episódio, mas ela disse que não. Com apenas dois anos de idade, ela era ainda muito novinha para se recordar.

O Graf Zeppelin

O Graf Zeppelin tinha 213 metros de comprimento, 5 motores, transportava 20 passageiros e cerca de 45 tripulantes, sendo o maior dirigível da história até a data de sua construção, em 1928. Sua estrutura era baseada numa carcaça de alumínio, revestida por uma tela recoberta por lona de algodão, pintada com tinta prata, para refletir o calor. Dentro, existiam 60 pequenos balões com gás hidrogênio, juntamente com 5 motores de 12 cilindros, alimentados com um combustível leve, o Blau Gas (gás azul = H²) e gasolina, que o mantinham no ar, a uma velocidade de até 128 km por hora. Sua capacidade de carga era de 62 toneladas.

O Graf Zeppelin oferecia grande conforto. Apenas 35 lugares eram disponíveis e, normalmente, a lotação não ultrapassava 20 passageiros. A aeronave era bastante estável, devido ao seu tamanho. Os passageiros dispunham de cabines duplas, com beliches, sala de estar e de jantar, e até um salão para fumar, cuidadosamente isolado para não incendiar o perigoso e inflamável gás de sustentação da aeronave, o hidrogênio.

Em todos os 7 anos de operação dos dirigíveis no Brasil, houve apenas um incidente, e nenhum acidente. O incidente ocorreu quando um dos homens que seguravam as cordas de amarração, no solo, não ouviu a ordem de “soltar a corda” e ficou pendurado, a grande altura do chão, até que a aeronave voltasse ao solo, alertada pelo pessoal em terra.

Infelizmente, apenas 14 meses depois da novidade ter chegado ao Brasil (1.936), o Hindenburg acidentou-se nos Estados Unidos. Pouco antes de pousar, a aeronave incendiou-se, no dia 6 de maio de 1.937.

Apenas um mês depois, o Graf Zeppelin foi retirado de serviço. O dirigível irmão do Hindenburg, o LZ-130 Graf Zeppelin II, já concluído, nunca chegou a entrar em serviço ativo. Depois de passar alguns anos em um museu, ambos foram desmontados em 1.940, para aproveitamento do seu alumínio em aviões militares, por ordem do Marechal Goering.

 

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