Santa Rita das Petecas

A versão não-oficial da fundação de Santa Rita do Sapucaí

1821

Manoel da Fonseca, quase um Adão Santa-ritense, é considerado o primeiro morador de nossas bandas. Era um homem bom, mas tinha um gosto duvidoso para batizar as coisas. Prova disso, foi o documento em que fez a doação de terras para a criação de nossa igreja. Lá estava o primeiro título do povoado: “Ribeirão do Mosquito”.

1825

Se o português Manoel, o Mané Bigode, não era habilidoso em colocar nomes, eis que surge alguma mente brilhante que decide mudar aquele título esquisito. A nova alcunha? “Santa Rita do Mosquito”. Peraí, não era para matar o inseto?

1839

Apesar da denominação capaz de espantar qualquer cristão, algumas famílias mais corajosas decidem comprar umas pastilhas de repelente e se mudam para as margens do Ribeirão. Ao perceber que o povoado estava reagindo bravamente ao ataque daquelas moscas assassinas, Marquês de Olinda, encarregado do brejo, decide elevar o local à categoria de Freguesia. A população aproveitou o embalo e trocou o Mosquito pelo Vintém. “Santa Rita do Vintém”!

1846

Com um nome mais agradável e um honroso título de Freguesia, as cidades vizinhas começaram a disputar a paternidade de nossas terras. Em um só ano, Santa Rita, que antes pertencia a Pouso Alegre, passou a pertencer a Itajubá e foi, em seguida, arrastada novamente para Pouso Alegre, que segurou as pontas até 1870, quando Itajubá aproveitou um descuido e a tascou de volta, na calada da noite.

1874

“Opa!” – disse Pouso Alegre – “Isso não vai ficar assim!” Em 1874, a cidade que abraça o futuro aplica uma dupla pirueta e meia, conquistando novamente nossas paragens. Itajubá não deixa por menos. Com um duplo twist carpado consegue arrastar nossa Freguesia 40 quilômetros rio acima. Nessa altura do campeonato, a população de Santa Rita do Vintém já estava começando a ficar com náuseas. Ninguém aguentava mais aquele chapéu mexicano. Em busca de sossego, nossos conterrâneos têm uma ideia mirabolante: mudar o nome para Santa Rita da Boa Vista, a fim de despistar a vizinhança barra pesada.

1880

Enquanto as duas grandes cidades lutavam pela posse do que viria a ser a capital do Sul de Minas, eis que surge São Gonçalo do Sapucaí que, com audácia, simpatia e jogo de cintura, consegue a posse da terra natal de João Onça. Para despistar os rivais, a cidade que afrouxou o pino de Bárbara Heliodora decide mudar o nome da Freguesia para Santa Rita do Sapucaí.

1888

Em 1888, Santa Rita do Sapucaí conquistou a sua tão almejada liberdade. No dia 1º de setembro daquele ano, era proclamada a nossa independência, às margens do Ribeirão do Mosquito. Sebastião Pantera, com um brado retumbante, retirou sua espada reluzente e gritou: “Bedegado bigão do peto beu!!!”. Com esse ato heroico, nos tornamos livres e desimpedidos.

1890

Com a independência, apesar de tirarmos São Gonçalo da nossa aba, logo encontraram um jeito de nos amarrar judicialmente à Comarca de Rio Verde, que eu também não sei onde fica. Em 1890, Natércia, que ostentava o pomposo nome de Santa Catarina, deu um jeito de arrastar nossa comarca para lá. Até tu, minha filha?

1891

Em 1891, ninguém aguentava mais aquela loucura. Já tinha gente que se levantava de manhã perguntando onde é que tinha acordado. Para descomplicar a vida, nossos habitantes passaram a identificar a cidade como “Santa Rita das Petecas”, até que o jogo acabasse e a gente pudesse voltar para casa. Naquele ano glorioso, a cidade virou mesmo uma cidade e cá estamos, até hoje, tentando sarar da “zunzura”.

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