Um papo musical com Claudionor Cassemiro

Como foi a sua infância em Santa Rita?

Saudade dos meus doze anos… Tive a infância típica de uma família simples, mas com o coração aberto para a cultura e a arte… para a vontade de conhecer e de aprender. Aquela era uma época feliz em que a gente estudava no Grupão e no Sanico, participava das festas juninas e do Feirão Folclórico… Eu passei a minha infância entre o bairro Eletrônica e a casa da minha irmã, no Mato Grosso do Sul. Passava um ano lá e depois voltava… comecei a viajar aos 15 anos e passei mais de duas décadas fora.

Como começou a gostar de música?

Eu sou o caçula do sexteto e, em casa, ouvíamos Altamiro Carrilho e Pixinguinha por influência do meu pai. Sertanejo por influência da minha mãe e do meu irmão. Minha irmã mais velha me fez gostar de MPB… Passei a gostar de Milton Nascimento, Chico Buarque, Nana Caymmi e a ouvir Bossa Nova. Era um ambiente muito rico, através da fusão de vários gostos musicais.

Quando aprendeu a tocar?

Meu professor de música foi o Adail Ribeiro, por volta de 1981, aqui no posto de saúde, em frente à escola de comércio. Depois de algum tempo, tomei parte na Lira Santa-ritense. Comecei tocando Sax Harmony e depois passei para o clarinete. Era um dos músicos mais novos da banda. Tive o privilégio de me apresentar com aquele grupo por mais de duas décadas e tocar em encontros de bandas, feirões folclóricos, alvoradas e muitos outros eventos.

Conte-nos sobre as Alvoradas…

Nas alvoradas, nós tocávamos na madrugada pelas ruas da cidade e homenageávamos os músicos falecidos. Lembro-me da homenagem que fizemos ao músico Benedito Grilo. Foi uma época muito boa e que deixou saudades. Tenho planos de retornar à Lira e recordar os velhos tempos.

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E as viagens que faziam?

Aos domingos, íamos nos apresentar na Basílica de Aparecida. Nós chamávamos o Chico Flamenguista que levava uma alegria ainda maior ao grupo. Ele não tocava nenhum instrumento, mas era muito importante para nós. Não tinha tristeza. Deixava qualquer um alegre só de olhar pra gente. Era tio do Zé Adão. Estava sempre junto. Tínhamos uma turma muito boa!

Que tipo de música vocês tocavam?

Nós tocávamos dobrado, valsa, samba e fox. As músicas que eu mais gostava de tocar eram “Saudades da minha terra”, “Tenente Alcides”, “Rio quatrocentão”, “Batista de Melo” e “Mão de luva”. Adorava aqueles dobrados.

A sensação de estar em uma banda deve ser muito boa, não é?

É, sim! Até porque, quando nós tocamos, interagimos um com o outro. Você começa a tocar uma parte da música e outro termina. Através daquela fusão surge a melodia e é muito prazerozo para quem está lendo a partitura. Quando você toca um instrumento, dá o seu melhor, investe tudo o que aprendeu nos ensaios e pensa como é bom saber tocar um instrumento.

Você vem de uma família de músicos, não é?

O meu avô, Antônio Cassemiro, havia sido músico e também tocava clarinete. Já o meu pai, José Cassemiro, mais conhecido como José Liquinha, era violonista. Tocava chorinho com o José Seda, Carlinhos do Ítalo e Geraldo do Acordeon. Todos eles me influenciaram muito.

Quais músicos você mais admirava na Lira?

Eu admirava muito o Adail e o Vítor da Lázara. Eram ótimos instrumentistas.

Soube que você ficou muito triste com a morte do Belchior…

Eu fiquei muito chateado com a morte do Belchior. O meu disco preferido deste é Alucinação, gravado em 1976. Gostava muito do artista, tanto como cantor, quanto como compositor e poeta. Deixou uma lacuna muito grande na MPB. Personalidades como ele, Tom Jobim, Tim Maia, Elis Regina e Naná Vasconcelos são essenciais à Música Popular Brasileira.

Quando você se mudou para o Mato Grosso do sul continuou a tocar?

Eu morei 23 anos no Mato Grosso do Sul, mas já não tocava nenhum instrumento. Ainda assim, não deixei de me aprofundar na música e conhecer diversos compositores. Eu nunca parei de estudar…

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