Pedro Dias fala sobre a Grandpa Joel’s Coffee e o movimento de cafés especiais em Santa Rita

Conversamos com Pedro Dias, proprietário da Grandpa Joel’s Coffee, responsável por projetar Santa Rita em todo o país e no exterior para saber as novidades e entender como anda a produção de cafés artesanais em nossa cidade.

Conte-nos sobre a Grandpa

Graças a Deus o café do Grandpa está muito bem. Estamos em uma fase de renovação de nossa lavoura. Existe todo um processo de arranquio do talhão e isso demanda uma boa preparação e aragem. As nossas mudas ficam prontas no fim da próxima semana. Devemos plantar 5 mil Araras e 15 mil Catuaí Amarelos. Ambos apresentam resistência a doenças, possuem uma excelente produtividade e qualidade superior. Queremos diversificar os cultivares que, antes, eram Mundo Novo e Catuaí Vermelho, populares na região. Poderemos oferecer não somente o excelente café da Mantiqueira, mas outras opções em nossa cafeteria e, consequentemente, em nossa marca. Nós temos um terroir muito favorável, um clima muito bom, mas podemos melhorar ainda mais nossos produtos.

O que aconteceu até a criação da cafeteria?

A criação da cafeteria foi resultado de uma sucessão de acontecimentos. Tudo começou quando herdei uma fazenda que tentava se recuperar de uma cadeia de prejuízos, com alto custo de produção, o que tornava inviável a cafeicultura. A estratégia que adotamos naquele momento foi a exportação. Enquanto comercializamos a saca a 400 Reais, o estrangeiro paga de 1000 a 1500 Reais. Nosso objetivo foi cumprido, conseguimos comercializar 30% em Vancouver e na Arábia Saudita e nos perguntamos o que fazer com os outros 70%. Iríamos continuar queimando no comércio, muito mais barato do que o preço de mercado, ou agregar valor no produto que permaneceu aqui? Decidimos criar uma marca diferenciada, com história e identidade… surgiu então a Grandpa Joel’s Coffee.

O que diferencia um café artesanal dos demais?

O consumidor está cada vez mais exigente. Ele não se contenta em adquirir uma marca sem conhecer a procedência do produto e, simplesmente, passar o seu café. Ele quer desvendar a cadeia produtiva e enxergar a rastreabilidade do produto. O consumidor tem procurado saber se existe sustentabilidade produtiva ou se a marca oferece algum diferencial de serviço comunitário… algo que o conecte ao produtor.

Como encontraram tal diferenciação?

Quando produzimos o nosso café artesanal, a ascensão foi gradual. Não conseguimos entrar automaticamente no mercado e, para facilitar esta penetração, criamos uma Coffee Bike que obteve uma repercussão imensa. Passamos a atuar com ela em tudo que era evento no sul de Minas e promovemos muito bem a nossa marca. Ganhamos espaço em Rede Nacional, em sites, revistas, jornais… isso chamou a atenção das pessoas e surgiram os pedidos de franquia. Nossa intenção inicial era espalhar a bicicleta pelo mundo, até percebermos que não conseguiríamos abrir uma unidade em Rio Branco ou em Portugal, onde tínhamos pedidos, com o padrão que gostaríamos. Nós percebemos que precisávamos de um quartel general, uma base de avaliação. Um local para armazenamento, distribuição, treinamento e desenvolvimento dos produtos. A cafeteria surgiu com este propósito.

A cafeteria é uma unidade piloto?

Sim. A cafeteria é a ponta do iceberg. É uma base de avaliação para um projeto que está prestes a ganhar o mercado. O local tem servido como base de estudos, avaliações e metodologias de atendimento. Eu até brinco com os meus colaboradores: “Feche os olhos, imagine que você tem um par de luvas brancas nas mãos e que a rainha da Inglaterra está prestes a ser atendida. Abra os olhos, vá lá e atenda a mesa três.” Não importa quem seja o cliente. O tratamento precisa ser diferenciado, sempre. Também não nos interessa qual é o humor com que o cliente chegou à cafeteria… ele precisa sair renovado. Queremos promover uma experiência que fará dele uma pessoa mais feliz.
O visitante chega ao estabelecimento e é imerso em uma experiência. É possível conhecer desde uma cerveja de café, hidromel com casca de café, o chá da casca do café, licores, até uma vasta gama de capuccinos e outras experiências.
Na Grandpa é possível degustar, por exemplo, um mirtilo, uma framboesa roxa, uma amora, um morango, através de um gelato de frutas vermelhas. É super refrescante, quase um Sorbet acompanhado de uma calda inspirada em uma receita caribenha.
Outra de nossas especialidades são os Cold Brew, que são os cafés gelados. Muito diferente do que se pode imaginar, eles não foram passados quentes e depois resfriados na geladeira. Nós gelamos a água, deixamos o café em imersão de 12 a 18 horas, e depois o coamos. Não há uma variação térmica. Ele sustenta todas as notas por uma semana.

A cidade despertou para esta oportunidade?

Acho muito importante este despertar de cafés especiais em Santa Rita. Outras regiões estão bem mais adiantadas, mas isso tem acontecido com maior efetividade por aqui. Surgiram, nos últimos tempos, mais de dez marcas de cafés artesanais na cidade, todas elas excelentes! Temos visto algumas atividades, mas precisamos nos unir para fortalecer o reconhecimento dos cafés especiais em Santa Rita. Temos valorizado o terroir e isso é muito importante para a nossa atividade, além de levar o nome da cidade para fora daqui. Junto com os movimentos como o Cidade Criativa, movimentos musicais, artísticos e literários, também poderemos fazer o mesmo com os cafés especiais. Este é o nosso objetivo maior. Podemos e devemos evoluir em conjunto.

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