Um jornal de fofocas publicado em Santa Rita há 106 anos

Do dicionário informal, o termo “coió” significa “bobo”, “vacilão”, “idiota”. Também é usado como denominação vulgar de “peixe voador”, “namorado ridículo” ou “assobio galanteador, dirigido a uma mulher”. Pois este foi o nome dado a um jornal publicado em Santa Rita, no dia 1º de setembro de 1911. Em sua descrição consta “Quinzenário crítico dedicado à mocidade santa-ritense”. O que encontramos, no entanto, foram fofocas da vida local há 106 anos. Acompanhe, a seguir, alguns trechos do “Coió”:

Será verdade?

– Que uma senhorita namora 15 de uma janela só? Que vassoura!
– Que o Diomar é o rapaz mais elegante da cidade?
– Que o Juca Chaves tem 50 namoradas? Que coió sem asas!
– Que o Isbello Dias anda numa paixão danada? Que trouxa…
– Que o Zé Adão é um bacharel sem letras?
– Que uma senhorita cá da terra disse que o Chico Rufino é o maior Coió de Santa Rita? Confere.

No do outros é refresco

Trata-se de uma tradição que uma moça aqui da cidade não pode fazer o que faz qualquer dama do Rio. Aqui não pode sair sozinha à rua sem se tornar alvo de disparos picantes por parte das baterias de cafajestes assentados nos lugares mais frequentados da cidade. Na igreja ou no cinema é isso: o galanteio chega ao desaforo do gesto… de longe o garoto pulha manda beijos à sua namorada! É nestas ocasiões que falta polícia de costumes ou a bengala de qualquer cidadão moralizado bem no lombo do Dom Juan para lhe castigar o atrevimento!

O ambiente do cinema

Todos os jornais têm falado sobre os fumantes nos cinemas. Aqui, fumam um cigarro em cima do outro. Enquanto Pedro exibe as fitas, os moços galantes fazem filas com charutos enormes e de qualidade nada invejável. Há ainda os moleques que lá vão e que fazem um berreiro infernal e assobiam só porque a fita arrebentou. É preciso que nosso público se civilize e que terminem estes usos e abusos.

Achados e perdidos

Um moço perdeu há pouco a vergonha entre a estação e a rua Marechal Deodoro. Pede-se encarecidamente a quem achá-la que deixe-a em nossa redação. Gratifica-se bem.

Ouvi falar…

Que o Manequinho conseguiu arrumar uma namorada. Que uma gentil senhorita vive no espelho o dia todo. Que o Raimundo Longuinho oculta uma paixão há mais de um ano. Que o João Caputo bebeu azeite porque a namorada o desprezou. Que o Luiz Nogueira anda jururu. Que o Godofredo de Luna foi apaixonado para Belo Horizonte. Que o Isbello Dias ganhou o prêmio de devorador de picnic. Que o Pedro Fleaschen abocanhou a sorte grande na rua da ponte. Que no Cinema Ideal tem havido um coioamento escandaloso. Que por hoje chega.

Birrenta

Tenho birra de uma senhorita que só vive na janela, de dia e de noite. Tenho birra de quem ousa devolver o jornal Coió. Birra de quem não compra na loja J. Cunha & C e da calça canudo de queijo do Heráclides.

Viagem Glamourosa

Regressou de Pouso Alegre, onde foi a passeio, o distinto sacerdote, Rev. Cônego Theophilo, vigário desta parochia.

Sessão da Câmara em casa

O Presidente da Câmara Municipal, em vista de haver sessão do júri no dia 4 do corrente, comunica a todos que as reuniões acontecerão em sua residência à rua Major Antonio Moreira da Costa, ao meio dia. Convida, pois, todos os interessados a comparecerem ao referido local e hora.

Importando fofocas

No Porto Sapucaí, Antônio Olintho brigou com o Carvalho – namorada é volúvel.
Em Volta Grande (atual Careaçu), Bernardo Faria bebeu Ácido-Phenico.
Em Santa Catharina (Atual Natércia), Agripino vai mandar botar o redator do “Sul de Minas” na cadeia.

Novo delegado

Foi nomeado para o cargo de delegado de polícia do município de Pouso Alegre o Dr. Amphiloquio Campos do Amaral.

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